O título desta crónica pode ser enganador, como são quase todos os títulos. Na aprendizagem das técnicas mais elementares do jornalismo lá está a arte de titular, de ser criativo, diria até persuasivo, para captar a atenção do leitor, do consumidor da informação, e este não tenta fugir à regra.
Na quadra natalícia, que caminha velozmente para o seu epílogo, um título assim curto, despido de acrescentos ou considerações, pode ser tomado por insinuador, até crítico, e pior ainda, pré-messiânico, posicionando-se no plano das religiões que ainda esperam a vinda do Salvador.
Desfaço já o equívoco: não atravesso qualquer crise de fé, ainda que a solução para o problema, que se arrasta pelos céus, convoque quase a construção de um milagre – no mínimo, exige que tenhamos os pés bem assentes na terra.
Falo, como é fácil de entender, da SATA, do seu estado comatoso e da inevitável privatização, sem a qual o desfecho seria absolutamente ruinoso. Dramático.
Durante a governação socialista, “entre 2013 e 2019 o passivo total aumentou 266,2 milhões de euros (+134%), atingindo 464,8 milhões de euros neste último ano” diz o relatório do Tribunal de Contas, “circunstância reveladora de uma situação de falência técnica”. Com este passado dificilmente alguém teria outro futuro. Ou salvação.
Mas há sempre um messias em potência, que acredita ser o único capaz de salvar o que resta, sobretudo se tendo passado da governação para a oposição. É nesta demanda salvífica que os socialistas querem salvar a SATA. Com muito atraso.
Há sempre lugar no céu para um pecador arrependido.




















