O debate parlamentar de hoje ficou marcado por duras críticas e contrapontos entre as bancadas, com PS, PSD, CDS e Iniciativa Liberal a apresentarem leituras distintas sobre o estado socioeconómico dos Açores. O custo de vida, o combate à pobreza, o desempenho económico da Região e a capacidade reformista do Governo Regional dominaram a sessão.
O líder parlamentar do PS/Açores, Berto Messias, abriu o debate alertando para “o agravamento significativo do custo de vida na Região”, defendendo que “as famílias açorianas não vivem melhor hoje”. Citando dados do índice de preços no consumidor, afirmou que bens e serviços subiram cerca de 15% e que os bens alimentares registaram um aumento de 29%. Para Messias, este contexto “dificulta a vida das famílias” e exige “mais proatividade do Governo”, que acusa de acumular atrasos em pagamentos e de ter criado “uma dívida recorde” de 3.700 milhões de euros.
Do lado do PSD/Açores, o discurso foi de sinal contrário. O presidente da bancada social-democrata, João Bruto da Costa, salientou “a inédita descida em 6,9% da taxa de risco de pobreza”, afirmando que os Açores “já não são a pior região do país”. Destacou também a redução para metade da privação material severa, o crescimento económico ininterrupto nos últimos 53 meses e o aumento do consumo privado durante 54 meses. Na educação, apontou a descida de 7% no abandono escolar precoce nos últimos cinco anos como sinal de que a Região “está a criar mais oportunidades e mais rendimento”.
A Iniciativa Liberal (IL) apresentou uma das intervenções mais críticas ao executivo, com o deputado Nuno Barata a acusar o Governo Regional de “prometer transformação, mas apenas administrar declínio”. Para o parlamentar liberal, o executivo “domina a arte do slogan” e falha em concretizar reformas. Barata afirmou que a Região vive “um progressismo de vitrine” e que o Governo recua sempre que é confrontado com mudanças estruturais, multiplicando comissões e grupos de trabalho em vez de decisões efetivas.
À intervenção liberal reagiu o líder parlamentar do CDS/Açores, Pedro Pinto, que classificou as críticas como “um exercício completamente desajustado da realidade”. Para o centrista, a mudança reclamada pela IL “já está a acontecer há quatro anos” e com efeitos visíveis. Pedro Pinto destacou a redução de impostos concretizada em 2021 e a criação da Tarifa Açores, que fixou em 60 euros as viagens aéreas inter-ilhas para residentes, medida que, segundo afirmou, “transformou a mobilidade interna”.
O deputado sublinhou ainda que milhares de trabalhadores precários foram integrados na função pública com vínculos estáveis e destacou o reforço de políticas sociais, como o COMPAMID, cujo valor médio mensal passou para 50 euros, duplicando face a 2020. Recordou também que o “Cheque Pequenino”, congelado nos últimos anos de governação socialista, foi duplicado pelo atual executivo.
Pedro Pinto questionou ainda a ausência de reconhecimento da IL relativamente às mudanças já implementadas: “A vida nos Açores está muito melhor. Não está ainda como desejamos, mas estamos a caminhar com responsabilidade e resultados consistentes. Com tempo e trabalho, vamos mais longe”.
A sessão parlamentar revelou, mais uma vez, um cenário político marcado por leituras profundamente divergentes sobre o rumo do arquipélago, com o Governo Regional a ser simultaneamente alvo de críticas duras e de elogios firmes pelos resultados apresentados.




















