Autor: PM | Fotos: MM
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O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel, defendeu esta quarta-feira, em Ponta Delgada, o papel central do arquipélago na segurança euro-atlântica, afirmando que a Região representa simultaneamente “responsabilidade e oportunidade” num contexto global marcado por novas ameaças e incertezas.

Bolieiro falava na sessão solene de abertura do 9.º Curso Intensivo de Segurança e Defesa (CISEDE), promovido pelo Instituto de Defesa Nacional, sublinhando que a realização sucessiva do curso nos Açores “não é coincidência”, mas antes o reconhecimento da sua relevância geoestratégica.

O chefe do executivo regional destacou que os Açores são “ponte física e simbólica entre a Europa e a América”, desempenhando um papel decisivo nas rotas marítimas e aéreas, nas comunicações globais e no apoio logístico a operações militares e civis. “O Atlântico volta a ser um eixo estratégico decisivo para o equilíbrio global”, afirmou.

Bolieiro afirmou que a Base das Lajes é “muito mais do que uma infraestrutura militar”, defendendo a sua modernização e melhor aproveitamento, num quadro de dupla utilização — militar e civil — que, frisou, deve orientar também outros investimentos estruturantes na Região.

Entre os projetos considerados estratégicos, o Presidente do Governo destacou a modernização de portos para apoio logístico e investigação marítima, o reforço da vigilância marítima, a expansão de comunicações seguras e a instalação gradual de um centro tecnológico espacial em Santa Maria. “Cada euro investido em tecnologia, portos, aeroportos ou cabos submarinos é também um investimento em segurança europeia e em coesão territorial”, vincou.

Sublinhando que a União Europeia deve assumir maior responsabilidade na sua própria defesa, Bolieiro afirmou que os Açores podem funcionar como plataforma de convergência entre a NATO, a Europa e os Estados Unidos. “Os Açores não são uma periferia; são um centro de gravidade entre três continentes”, afirmou.

O Presidente do Governo insistiu na importância de articular segurança e desenvolvimento. “A coesão territorial é um pilar da segurança”, referiu, defendendo que investimentos em defesa devem traduzir-se igualmente em oportunidades económicas, científicas e sociais para as populações.

Bolieiro encerrou citando Vitorino Nemésio, lembrando que “a geografia vale tanto quanto a história”, e acrescentou que, no futuro, “valerá tanto quanto a nossa ambição, cooperação e compromisso estratégico”.

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