A CGTP/Açores admitiu hoje uma “adesão muito significativa” no arquipélago à greve geral marcada para quinta-feira, antecipando paralisações em vários setores e reivindicando “a retirada completa” das propostas do Governo da República de alteração à lei laboral.
Em conferência de imprensa, o coordenador da CGTP-IN/Açores, Rui Teixeira, disse que têm sido realizadas, na região, “muitas dezenas de plenários de trabalhadores e muitos contactos em locais de trabalho” e em todas essas ações é demonstrada “uma grande rejeição do pacote laboral”, em discussão.
“Os trabalhadores recusam aquilo que está em cima da mesa deste pacote laboral. Recusam aquilo que é a perda de salário e de direitos significativos que demoraram muito tempo a construir e a conquistar. Todos eles são direitos que traduzem conquistas de Abril”, sustentou o dirigente sindical.
Segundo Rui Teixeira, a convicção generalizada é de que “a adesão à greve vai ser massiva” e “muito significativa em vários setores de atividade”.
A CGTP-IN/Açores acredita que a paralisação possa encerrar a maior parte das escolas no arquipélago açoriano, suspender serviços não urgentes nos centros de saúde e nos três hospitais dos Açores e afetar o funcionamento de várias empresas privadas “de grande significado”.
Rui Teixeira sublinhou que até trabalhadores que “raramente fazem greve” manifestaram intenção de participar na paralisação de quinta-feira.
“Desta vez é para fazer”, acrescentou o coordenador regional da CGTP, voltando a defender a “retirada completa” das propostas de alteração à lei laboral.
Rui Teixeira disse que o Governo da República tem procurado “ocultar as consequências” das medidas em discussão, acrescentando que “durante um mês” assistiu-se a “inúmeras tentativas de distração e mesmo de chantagem”.
“Urge a retirada completa das propostas do Governo da República e a abertura de negociações para repor o tratamento mais favorável aos trabalhadores e proteger a negociação e a contratação coletivas”, defendeu.
A CGTP-IN nos Açores considera ainda que “a greve geral já teve, desde o seu anúncio, uma enorme vitória: impediu o Governo da República de fugir à discussão pública das alterações à lei laboral que pretendia impor, iludindo o favorecimento escandaloso das grandes empresas e ocultando as suas consequências”.
O dirigente regional da CGTP criticou também “os anúncios do primeiro-ministro de aumentos salariais”, acusando-o de “procurar criar ilusões”.
A CGTP-IN/Açores e os seus sindicatos afirmam ainda que “este é o momento certo para lutar”, apelando à adesão à paralisação e à participação nas concentrações previstas para quinta-feira, às 10:30 locais (11:30 em Lisboa), nas Portas da Cidade, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, na Praça Velha, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, e no Largo Duque de Ávila, na cidade da Horta, na ilha do Faial.
CGTP e UGT decidiram convocar uma greve geral para 11 de dezembro em resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral, apresentado pelo Governo.




















