As redes sociais estão a transformar profundamente o ecossistema informativo e a colocar em risco a difusão de informação séria, devido à velocidade e alcance com que propagam desinformação.
A conclusão foi destacada quinta-feira numa conferência promovida pela Associação Seniores de São Miguel, realizada no Hotel Marina Atlântico, em Ponta Delgada.
O jornalista Osvaldo Cabral, orador convidado, sublinhou que a facilidade de acesso e o apelo das imagens fazem das redes sociais plataformas mais atrativas, mas sem qualquer regulação, contraponto editorial ou respeito pelas normas deontológicas que regem o jornalismo profissional.
Segundo afirmou, conteúdos verdadeiros ou falsos podem atingir milhões de utilizadores em segundos, sendo que “as publicações falsas tendem a ser mais emocionantes do que as verdadeiras”, tornando-se, por isso, mais partilhadas.
No contexto regional, Osvaldo Cabral frisou que cerca de 70% das famílias açorianas têm acesso à internet, enquanto os jovens passam, em média, cinco horas por dia em frente ao computador. A nível nacional, 6,5 milhões de portugueses possuem telemóvel com internet — 96% dos quais jovens — e 43% usam o equipamento para aceder ao Facebook. “Isto significa que qualquer pessoa pode criar e difundir conteúdos sem qualquer verificação prévia”, alertou.
Entre as formas de desinformação mais comuns, apontou as fake news, as meias-verdades que misturam factos reais com interpretações enganosas, conteúdos descontextualizados como fotografias antigas usadas como se fossem atuais, manipulação de imagens e vídeos, deepfakes e narrativas conspiratórias “que ligam factos sem fundamento lógico”.
As consequências, afirmou, são graves: manipulação da opinião pública, interferência em processos eleitorais, aumento do discurso de ódio e intolerância, e erosão generalizada da confiança nas instituições e no jornalismo.
A Inteligência Artificial veio agravar “de forma profunda” o fenómeno, tornando possível produzir vídeos e imagens altamente realistas, incluindo personagens virtuais que comentam notícias falsas ou distorcidas, aumentando a dificuldade de distinguir o verdadeiro do falso.
Como forma de resistência à vaga de desinformação, o jornalista defendeu que a referência deve continuar a ser os órgãos de comunicação social credíveis — jornais, rádio e televisão — que operam com regras, supervisão e responsabilidade profissional. “Quando erram, corrigem. Nas redes sociais, ninguém responde por nada”, concluiu.
A sessão foi moderada pelo jornalista Nuno Neves, do Açoriano Oriental, e integrou o ciclo de iniciativas da Associação Seniores de São Miguel dedicadas à literacia mediática e cidadania informada.




















