Até o bombeiro, às vezes, deixa cair um balde de água. Afinal, quem é que nunca teve um ou dois lapsos na sua carreira? A pergunta é retórica e a resposta sabida.
Numa das suas doutorais sentenças nas redes sociais, César, pai, lembrou à plebe que “não fosse o sentido de responsabilidade do Partido Socialista, Portugal estaria novamente mergulhado numa crise política”, não estendendo a virtude ao PS dos Açores por indisfarçável razão familiar.
Modéstias à parte, o voto de abstenção foi heroico, quase épico — digno de entrar para os livros de história ao lado do 25 de Abril, do Tratado de Tordesilhas e daquele momento em que alguém decidiu pôr ananás na pizza.
Aqui chegados, dificilmente contemos a comoção. Quase dá vontade de aplaudir — não fosse o pequeno pormenor de ter sido precisamente o PS a provocar duas eleições nacionais antecipadas em dois anos e ainda um colapso político nos Açores em 2024, precisamente por reprovar o orçamento. Mas detalhes são detalhes, e na vida política de certos cavalheiros a memória é opcional.
Convenhamos, também, segundo aquela lógica, o partido que acende o fósforo passa a ser o mesmo que reclama medalhas por ter chamado os bombeiros. Um gesto de enorme coragem, claro: primeiro sobe-se ao telhado com um jerricã, depois anuncia-se ao país que, felizmente, alguém teve o bom senso de não despejar gasolina… pelo menos naquele instante.
Talvez, no próximo capítulo, nos digam que também inventaram a roda — e só por acaso a deixaram escapar pela colina abaixo.
Se houvesse prémio para a criatividade narrativa, estava entregue.




















