Na convenção nacional do Bloco de Esquerda, que decorre hoje em Lisboa, António Lima considerou que a governação da direita no arquipélago acumula “um rol de fracassos”, lamentando que, na Região, o Partido Socialista dos Açores se tenha transformado “na segunda muleta da coligação”, ao viabilizar o Orçamento Regional para 2026 com uma abstenção “ao lado do Chega”.
Perante centenas de militantes reunidos no pavilhão da convenção, Lima traçou um retrato social e económico que classificou de “cenário negro”. “Na saúde, nunca houve tanta gente nos Açores à espera de uma cirurgia, nem durante a pandemia. A pobreza pouco se alterou. Há mais de 22 mil trabalhadores com salários base abaixo dos mil euros. Nos 20 concelhos do país onde se morre mais cedo, 11 são dos Açores”, afirmou, acrescentando que a “privatização ruinosa” da SATA Air Açores foi “ruinosa para a Região”.
Numa crítica de duplo alcance, o coordenador do Bloco de Esquerda Açores recordou ainda as declarações recentes do PS regional, que acusou o Governo de “enganar os açorianos” e, “ao mesmo tempo, anunciou a viabilização do Orçamento juntamente com o Chega”.
Concordando com a acusação, Lima devolveu o argumento com maior dureza: “O Governo do PSD Açores, do CDS–PP Açores e do PPM engana todos os dias os açorianos. Mas é preciso ser consequente. Não se pode dizer uma coisa e fazer o contrário. É preciso construir uma política de verdade que responda aos problemas das pessoas hoje, não daqui a três anos.”
Habitação pública, justiça fiscal e cooperação com a TAP
No plano das propostas, o líder bloquista defendeu um “programa capaz de dar esperança a quem vive nos Açores e no país”, com medidas centradas em três pilares: “respeito por quem trabalha”, “nova política de habitação com aposta em habitação pública e regulação do Alojamento Local” e “justiça fiscal sem borlas às elites próximas do poder”.
Sobre a crise empresarial na SATA — onde “há salários em atraso nesta fase final do ano”, lembrou —, o dirigente apontou que a solução “tem forçosamente de passar pela cooperação com a TAP Air Portugal”.
Já em relação ao sistema de cuidados públicos, António Lima, também deputado na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, defendeu que é preciso “reinventar” um Serviço Regional de Saúde “que não siga pela via da privatização” e “acabe com a sua captura por interesses económicos”.
“Governo mais contestado” vê Orçamento 2026 avançar
O bloquista sublinhou que o Orçamento Regional 2026 foi viabilizado num momento em que “a contestação ao governo de direita nunca foi tão forte”. “É neste cenário negro que foi aprovado o Orçamento dos Açores para 2026, com a viabilização pelo PS, que se juntou ao Chega como muleta da coligação governativa que junta PSD, CDS e PPM”, rematou.























