Portugal foi um dos países que mais aumentou a contribuição financeira para a Agência Espacial Europeia, com um reforço de 51% que o ministro da Educação diz refletir o compromisso do Governo com o espaço.

“O sinal que demos é que este setor é mesmo estratégico para Portugal”, sublinhou hoje Fernando Alexandre, numa conferência de imprensa ‘online’ de balanço do Conselho Ministerial da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), que terminou na quinta-feira em Bremen, na Alemanha.

Para o período entre 2026 e 2030, o Governo português reforçou em 51% a participação na ESA, com um total de 204,8 milhões de euros.

Segundo o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Portugal foi um dos países que mais aumentou a sua comparticipação financeira, em termos percentuais, face ao período anterior.

“Globalmente, foi um sucesso face aos objetivos fixados. Demonstra a importância que a Europa dá ao espaço, que tem-se tornado cada vez mais relevante”, considerou.

Da parte portuguesa, estão envolvidas as áreas governativas da Ciência e Inovação, responsável pela maior fatia (56,7%), Economia (14,1%) e Infraestruturas (9,8%).

Pela primeira vez, estão também envolvidas as áreas governativas da Defesa, que participa com 16,2%, e do Ambiente, com 1,7%, bem como o Governo Regional dos Açores, que participa com 1,5%.

Uma das missões financiadas é o Space Rider, cujo acordo para a aterragem do voo inaugural em Santa Maria, nos Açores, foi assinado hoje entre Portugal e a ESA.

A Ciência e Inovação vai assegurar os programas obrigatórios e os programas opcionais associados às missões científicas e à colaboração entre centros de investigação e empresas tecnológicas.

As restantes áreas governativas e a Região Autónoma dos Açores contribuem em programas opcionais como a observação da terra, segurança espacial, transporte espacial, comunicações, tecnologia ou resiliência.

“O grande reforço resulta, precisamente, de termos cada vez mais a ciência a ser acompanhada por outras áreas setoriais”, afirmou, dando o exemplo da resiliência, cujo investimento português será assegurado, sobretudo, pela área governativa da Defesa, que terá “um envolvimento cada vez maior em muitas áreas do espaço”.

Em resultado da aposta no setor, o governante estimou um impacto significativo no emprego, com a criação de cerca de seis mil postos de trabalho em algumas regiões com maior aposta na área aeroespacial, em particular os Açores e a região Norte.

Por outro lado, Fernando Alexandre considerou que a Europa tem tido dificuldade em acompanhar a evolução de países como os Estados Unidos e a China, sobretudo no que diz respeito ao papel do espaço na segurança, e defendeu que a fragmentação existente nas políticas do espaço “tem de ser ultrapassada para que a Europa possa ser competitiva”.

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