Foto: PM
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A fileira da pesca nos Açores admitiu hoje que “está tudo em aberto” sobre a possibilidade de o setor promover uma greve geral, na sequência do aumento de taxas a praticar pela Lotaçor.

Em conferência de imprensa conjunta da produção, indústria e comercialização, Rogério Veiros, da Associação dos Industriais de Conservas de Peixe dos Açores, questionado sobre admite uma greve geral das pescas, respondeu que “está tudo em aberto”.

“A nossa luta não vai parar por aqui”, afirmou Rogério Veiros.

Já Pedro Melo, da Associação de Comerciantes de Pescado dos Açores, referiu que o setor exige a “retirada imediata da proposta [de aumento de taxas]” e a “abertura de um processo sério, transparente e construtivo de diálogo”, bem como uma solução que “não destrua o setor para tentar salvar a empresa (Lotaçor), que existe precisamente para o servir”.

Pedro Melo declarou que o aumento de taxas “representa um ataque direto à sustentabilidade do mar nos Açores”.

“Não estamos perante uma atualização técnica ou justificada: trata-se de um aumento abrupto e desproporcionado, destinado a cobrir défices criados por decisões e ingerências políticas acumuladas ao longo dos anos, com impactos graves para produtores, compradores, indústria e mercados”, afirmou o dirigente.

No caso do atum para transformação, foi exemplificado que a proposta aumenta as taxas de 2% para 8%, sendo que em 2025 foram descarregadas 6.663 toneladas, avaliadas em 11,2 milhões de euros.

Pedro Melo referiu que “foram pagos 220 mil euros” e “com a proposta pagar-se-iam 899 mil euros, mais 300% num só ano”.

No caso do pescado fresco para comercialização, com base nos valores de 2025 e em função das novas taxas, o aumento seria de 77%.

O dirigente diz que se está perante um “imposto encapotado” num setor “já pressionado por custos de transporte, logística, exportação, energia, ‘handling’, raio x, entre outros”.

Pedro Melo referiu que as taxas, a avançarem, serão as mais altas do país, o que penaliza a competitividade face à Madeira e continente.

De acordo com o dirigente, a Lotaçor “está subfinanciada, enquanto as despesas crescem”.

Há dois dias, as organizações das pescas dos Açores manifestaram a sua “profunda preocupação” perante as recentes orientações e decisões do Governo Regional relativas ao setor, que “contrariam frontalmente” compromissos assumidos.

Numa carta aberta dirigida ao presidente do Governo dos Açores, a Federação das Pescas dos Açores, a Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores e a Associação dos Industriais de Conservas dos Açores referem que o “corte de 50% nos apoios ao setor associativo para 2026 representa um retrocesso sem precedentes”.

“Este corte fragiliza seriamente a capacidade das associações para garantir representação, organização, acompanhamento técnico e apoio às pescarias e à comercialização do pescado. Tal redução compromete a estabilidade de uma fileira essencial para assegurar rendimento aos pescadores, competitividade às empresas e preços justos ao consumidor”, sublinharam em nota de imprensa.

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