O setor empresarial regional público dos Açores reduziu a sua expressão na economia e no emprego em 2024 e registou um agravamento das perdas financeiras, segundo um relatório divulgado hoje, pelo Conselho das Finanças Públicas, presidido por Nazaré Costa Cabral.
De acordo com a análise, as empresas públicas açorianas empregavam no ano passado 7,6 mil trabalhadores, representando cerca de 6,5% do emprego total na região, uma ligeira descida em termos relativos face a 2023. O setor mantém ainda um peso relevante no universo do emprego público das regiões autónomas, mas com sinais de menor dinamismo económico direto.
O relatório indica ainda que o volume global do investimento acionista do governo açoriano e madeirense nas sociedades do setor se manteve estável, nos 1.334 milhões de euros.
Nos Açores, o crescimento dos custos operacionais superou a evolução do volume de negócios, contribuindo para a deterioração do resultado líquido agregado, que atingiu cerca de 93 milhões de euros negativos. A avaliação identifica igualmente a perda de robustez de indicadores de solvabilidade e autonomia financeira, num cenário de maior exposição a capitais alheios.
O desempenho do grupo SATA é referido como um fator crítico na evolução das contas, com uma quebra de dezenas de milhões de euros no resultado não consolidado de participadas, num contexto de desafios estruturais e financeiros do conglomerado.
O setor dos transportes e armazenagem, que se destaca por concentrar elevados volumes de ativo, custos e faturação no setor público açoriano, foi o principal foco de deterioração em 2024. Segundo o SATA Internacional – Azores Airlines, a evolução das contas deste segmento contribuiu para a degradação dos resultados operacionais e dos indicadores de rendibilidade, num momento em que a empresa se encontra em processo de privatização.
O CFP salientou que “a rendibilidade global do SER se manteve negativa”, apontando para “limitações estruturais e dependência de financiamento público”, fator que se reflete de forma mais sensível no arquipélago açoriano.
Em contraste, o setor empresarial público da Madeira apresentou uma ligeira melhoria económica e financeira, mantendo ainda um resultado líquido negativo (23 milhões de euros), tendência associada sobretudo ao desempenho do setor da saúde, fortemente penalizado por capitais próprios negativos e por custos com pessoal.
O relatório sublinha ainda que o esforço financeiro líquido do Governo Regional dos Açores aumentou 18,4 milhões de euros em 2024, enquanto na Madeira diminuiu 79,4 milhões de euros, totalizando 93,5 milhões e 77,2 milhões de euros, respetivamente.




















