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A ascensão da extrema-direita sempre foi suportada pelos donos do sistema dominante. Neste processo, a mentira tem um lugar de destaque, em centenas de entrevistas sem contraditório, doses gigantescas de propaganda e falsas narrativas.

O caso português não é original. Trabalha para a sobrevivência do sistema que diz querer destruir. Grita contra a corrupção ao mesmo tempo que, na sombra, é suportado financeiramente por quem ganha com ela – novamente, os todo-poderosos donos do sistema.

Assim se explicam os rios de dinheiro investidos na propaganda e nas redes sociais, as centenas de horas de entrevistas sem contraditório e os milhares de notícias cuidadosamente construídas para favorecer a narrativa que lhes convém. Tudo isto desde a sua origem, quando não passavam de um embrião político e quando a sua expressão eleitoral era absolutamente residual.

Contudo, presos nas suas próprias contradições, foram-se desmentindo a si próprios. Eram contra os partidos e, por isso, fundaram um partido. Iam acabar com a bandalheira dos deputados a mais e que não trabalhavam (expressões dos próprios). Eram contra a pedofilia, mas, entretanto, optaram pelo silêncio oportuno. Eram contra a corrupção, mas apoiam os negócios obscuros, as privatizações e a legalização da fuga das grandes fortunas.

Agora, os próprios desmentiram a ideia de que estão ao lado das pessoas comuns. Nada mais longe da verdade. Na discussão das leis laborais, mostraram estar com os mais poderosos – na verdade, com quem os financia. Afirmaram-se disponíveis para aprovar os despedimentos sem justa causa, 2h de trabalho diário gratuito, a redução dos salários e tudo o mais que der jeito às associações patronais.

Insultaram os trabalhadores, enquanto se mantiveram em silêncio sobre a postura de quem mais depende de subsídios públicos: as grandes empresas. Veja-se o seu apoio à redução do IRC que beneficia apenas as grandes fortunas, aprovado no mesmo dia em que procuraram desviar as atenções com as burcas. Com tudo isto, desmentem-se a si próprios: não são contra o sistema, defendem-no todos os dias e reúnem aquilo que ele tem de pior.

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