Começaram ontem os debates presidenciais. É o início de um périplo, exaustivo q.b., no qual os candidatos tentarão esgrimir argumentos para que as pessoas consigam decidir o seu sentido de voto. Na maior parte dos debates recentes, temos visto os políticos falarem para os “seus fiéis”, ao invés de debaterem realmente ideias com quem têm pela frente. Essa característica tem sido, de facto, um denominador comum e transversal aos debates políticos televisionados. Isto porque, na minha opinião, cada vez mais os candidatos utilizam estes espaços para “segurar” o seu eleitorado, para “mobilizar tropas”, em detrimento da tentativa de captação de novos eleitores.
O contexto destas eleições é particularmente interessante, na medida em que a fragmentação de votos me parece ser uma realidade na primeira volta. Ao dia de hoje, parece-me difícil afirmar que o candidato A ou B serão, inequivocamente primeiro e segundo classificados, e que passarão a uma segunda volta. É arriscado e irrealista. É precisamente neste ponto que poderá ser interessante olhar para os debates e respetivos argumentos e ideias de cada um.
O primeiro debate, trouxe uma grande expectativa para quem gosta de acompanhar os fenómenos políticos. Contrapôs André Ventura, o candidato a tudo pelo Chega, e António José Seguro, figura socialista de relevo, mas que pelo facto de estar afastado há cerca de uma década da atividade política, poderia ter algumas dificuldades em regressar à “arena”. Vamos então ao debate. Do lado de André Ventura, com um tom agressivo, exaltado, uma espécie de martelo pneumático falante. Exímio na retórica. Ciganos, corrupção, Bangladesh. Nada de novo. Sempre o mesmo discurso. É certo que o seu discurso é bem oleado, mas não passa disso.
Do outro lado, António José Seguro. Sereno. Calmo. Desarmante. Arranjou a tática perfeita para lidar com Ventura. Parar, calmamente, sempre que é interrompido. As diferenças entre ambos são enormes. Em tudo. Ainda assim, diria que o debate foi amorfo, tendo sido tendencialmente favorável a Seguro. O debate de ontem mostrou um seguinte: temos uma espécie de fogo pela frente. De um lado tínhamos um bombeiro, do outro um incendiário. Sem dúvida que o primeiro debate não foi produtivo mas foi, no mínimo, esclarecedor. Caberá, ao longo das próximas semanas, aos portugueses escolherem a melhor opção. Muitos candidatos, muitas ideias, muitas diferenças de estilo. Veremos o que acontece.




















