PUB

Fala-se muito em investimento no futuro, em educação de qualidade e em oportunidades para os jovens açorianos. Mas, na prática, o cenário, em muitas Escolas da Região e no Conservatório Regional, é o de edifícios degradados, infiltrações, falta de manutenção e espaços que já não respondem às exigências de um ensino moderno, inclusivo e digno.

A verdade é simples: não se constrói futuro com paredes a ruir.
E poucos exemplos são tão gritantes como a Escola Secundária da Ribeira Grande, que, há anos, aguarda intervenções profundas, convivendo diariamente com problemas estruturais, infiltrações, equipamentos obsoletos e espaços que já não acompanham as exigências pedagógicas atuais. Professores, funcionários e alunos adaptam-se, improvisam, resistem — mas não deveriam ter de o fazer. A escola merece muito mais do que remendos; merece respeito.

Há escolas com décadas sem obras estruturais, salas com condições acústicas e térmicas impróprias, ginásios que se transformam em armazéns e conservatórios onde a música, ironicamente, ressoa entre o bolor e o descuido. E, enquanto isso, o Governo Regional continua a multiplicar promessas, estudos e diagnósticos que servem mais para adiar decisões do que para resolvê-las.

O Conservatório Regional, em particular, é símbolo desta negligência. Uma instituição que devia ser motivo de orgulho — pela formação artística que oferece e pelo papel cultural que desempenha — tem sido deixada à sorte de remendos pontuais e improvisos orçamentais. É vergonhoso que professores e alunos tenham de trabalhar em condições precárias, num edifício que pede socorro há anos.

A desculpa habitual é a falta de verbas. Mas não faltam recursos para projetos de fachada, eventos e propaganda institucional. Falta, isso sim, vontade política e prioridades claras. A manutenção e recuperação do parque escolar não são gastos supérfluos: são investimentos essenciais na dignidade e no futuro da Região.

O Governo Regional tem o dever de agir — não apenas de anunciar. O estado das escolas, do Conservatório e da própria Escola Secundária da Ribeira Grande é o espelho de uma gestão que prefere gerir emergências em vez de planear políticas públicas sustentáveis.
Enquanto se fala em inovação, há salas onde chove dentro, janelas que não fecham, tetos que caem e alunos que aprendem em espaços exíguos, sem condições técnicas e, já agora, tecnológicas – tão apregoadas pelo famoso PPR, e pior: sem ventilação adequada.

Investir na educação e na cultura é investir no capital humano dos Açores.
Descurar os edifícios escolares é desrespeitar os professores, os alunos e as famílias.
E esquecer o Conservatório é empobrecer a alma de uma região que sempre se orgulhou da sua sensibilidade artística e do seu talento e que se aventurou a candidatar-se a ‘Capital Europeia da Cultura’.

Chegou o tempo do Governo Regional “aprender”, finalmente, a lição mais elementar: quem não cuida das escolas e da cultura, destrói lentamente o futuro. Neste caso o futuro dos Açores e dos Açorianos.

PUB