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O Sindicato dos Trabalhadores Portuários da Ilha Terceira acusou hoje o diretor técnico da empresa que gere a movimentação de cargas no porto da Praia da Vitória, nos Açores, de discriminar funcionários sindicalizados, há vários anos.

“A nossa direção técnica muitas vezes discrimina alguns trabalhadores que são sindicalizados, principalmente novos que estão a entrar, com algumas ameaças”, afirmou, em declarações à Lusa, o presidente do sindicato, José Ferreira Vicente.

Segundo o dirigente sindical, a discriminação de trabalhadores na OPERTERCEIRA, empresa responsável pela operação de cargas no Porto da Praia da Vitória, arrasta-se “há alguns anos”, mas “nos últimos tempos piorou”.

“Pretendemos acabar com isso de uma vez por todas. Já falámos com a gerência muitas vezes sobre estes problemas que estão a acontecer em cima do porto da Praia [da Vitória]. A gerência tenta resolver, dá ordens ao diretor técnico e as ordens não são cumpridas, tanto como o nosso acordo de trabalho. Negociamos com a gerência e tempos depois o que se negociou não é cumprido”, salientou José Ferreira Vicente.

O assunto foi discutido na última assembleia-geral da Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários, que juntou, esta semana, na ilha Terceira dirigentes dos diferentes sindicatos do setor no país.

Os sindicatos filiados na federação “deliberaram, por unanimidade, solidarizarem-se com o seu congénere” e repudiarem as “práticas e condutas” da direção técnica da OPERTERCEIRA.

“O Sindicato dos Trabalhadores Portuários da Ilha Terceira não estará só nas ações e nas iniciativas visando a melhor defesa dos direitos e legítimos interesses dos trabalhadores que representa”, lê-se no comunicado que resultou da assembleia-geral.

Questionado pela Lusa, José Ferreira Vicente disse que para já não estão marcadas ações de luta e que o sindicato pretende resolver o problema pela via do diálogo.

“Pedimos solidariedade aos nossos parceiros sindicais para que nos ajudassem a fazer ver que as coisas não estão corretas. Queremos tentar resolver o mais rapidamente possível”, salientou.

Segundo o dirigente sindical, a direção técnica não cumpre o acordo de trabalho e as pressões já levaram a que alguns trabalhadores de desvinculassem do sindicato.

“Já tivemos desistências e os novos trabalhadores não vêm para o sindicato, porque mal entram têm essa pressão da direção técnica”, apontou.

O mau ambiente de trabalho e algumas “más decisões” da direção técnica têm impacto na gestão das cargas e descargas no Porto da Praia da Vitória, alertou José Ferreira Vicente.

“Isso tudo move o trabalho em cima do porto e mexe com a economia da ilha, porque o trabalho não é bem feito, não é resolvido”, criticou.

A Lusa procurou obter uma reação da administração da OPERTERCEIRA, mas até ao momento não obteve resposta.

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