Para o governo da República, os Trabalhadores querem-se descartáveis, sem direitos e sem voz. Assim se resume a proposta de alteração à legislação laboral, que deveria ter sido chamada de escravatura XXI. A isto, juntam-se as inacreditáveis declarações do primeiro-ministro e da ministra do trabalho. Demonstram a sua total falta de consideração pelos Trabalhadores, vendo-os como sendo facilmente manipuláveis.

Falam como se a decisão de perder um dia de salário fosse tomada acriticamente ou de ânimo leve. Como se a adesão à greve resultasse de uma ordem. Mas nada está mais longe da verdade. A decisão de convocar uma greve é sempre difícil. Exige uma cuidada e complexa avaliação de diversos fatores. A decisão de aderir a uma greve, tomada individualmente por cada Trabalhador, é igualmente complexa, avaliando as razões que levaram à sua convocação. Para esta greve geral, razões para aderir não faltam.

A legislação do trabalho que hoje temos em Portugal já é das mais desfavoráveis aos Trabalhadores. Contudo, mostrando que este governo está cá para ser a voz das grandes empresas, propõe mais de 100 alterações, pensadas para servir quem acumula 32 milhões de lucro por dia. São propostas que só poderão agravar os já enormes défices que enfrentamos, com destaque para as desigualdades sociais e da distribuição da riqueza.

Vejamos alguns exemplos: trabalhar de graça mais duas horas por dia; ser despedido sem justa causa; estar toda a vida precário; receber salários ainda mais baixos; não ter tempo para os Filhos e deixar os Filhos sem ver os Pais; não ter direito à greve; e não ter direito a estar informado, com a liberdade sindical condicionada. São medidas que mais parecem saídas do século XIX. Já agora, é bom recordar que antes do 25 de Abril também não havia o direito à greve nem a informar e a ser informado.

Com este cenário em cima da mesa, o que tem afirmado o governo, na concertação social – ou melhor, na desconcertação antissocial? Com acordo ou sem acordo, a proposta seguirá tal como está. Isto não é negociação, é imposição.

Se nos querem descartáveis, sem direitos e sem voz, a única resposta possível é mesmo a greve geral!

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