Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA

O futebol ainda tem virtudes. Fazer uma afirmação assim, depois de um fim-de-semana altamente polémico, com incidentes dentro e fora do terreno de jogo, pode parecer arriscado. Mas acredito no que digo. Tenho evidências. Portanto, não se trata de um chavão, daqueles que se repetem a esmo, em jeito de comédia involuntária.

E digo-o a partir do jogo entre o nosso Santa Clara e o Sporting, o que aparentemente é outra contradição. Mas as grandes virtudes talvez sejam isso mesmo, a capacidade de fazer diferente, de fazer bem nas situações menos previsíveis, a arte de desconcertar quem espera sempre o lado mais pobre da condição humana.

Em tantas páginas escritas sobre aquele jogo, em infindáveis horas de acérrimas discussões televisivas não houve o espaço de uma linha ou de um minuto para lembrar a nobreza do público santaclarense, a sua virtude, jogada de modo limpo, ali à vista de todos, sem truques rasteiros e polémicas estéreis, dispensando tecnologias corretivas.

Os media ignoraram. Claro. Por regra ignoram tudo o que é indiferente ao algoritmo consumista e não fizeram exceção. Mas o gesto foi de excecional elevação. Sem que tivesse soado o primeiro apito, fez-se ouvir a melhor e mais genuína ovação daquela noite de sábado, antes de qualquer golo ou drible artístico. A mais nobre de todas as jogadas veio da bancada, das gentes com o emblema açoriano ao peito e no coração, de pé a expressar gratidão a Morita, o jogador japonês que agora milita no clube adversário, à passagem para o banco dos suplentes.

A gratidão não tem cor. E o futebol ainda tem virtudes.

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