O angolano José Marcelino Kongo homenageia no seu livro “O Lenço de Cabeça”, hoje lançado, o papel da mulher na luta na independência de Angola, nação “em fase de reestruturação” e “com muito potencial”, mas ainda com “muitas dificuldades sociais”.
Natural de Angola, mas residente há várias décadas nos Açores, o escritor, poeta e músico, considerou, em declarações à Lusa, que a ex-colónia portuguesa “tem ainda muito a oferecer aos seus cidadãos”, havendo “muito potencial a ser desenvolvido”.
José Marcelino Kongo, apesar de viver no exterior, com base em depoimentos de algumas pessoas, admite problemas com a liberdade de expressão, sendo que o seu livro, lançado com a chancela da editora açoriana Letras Lavadas, pretende “homenagear a mulher angolana” através de imagens e textos.
“Este é um livro fotográfico, também com textos meus, que decidi publicar após o meu regresso depois de muitos anos emigrado em Portugal”, refere o autor, que pretende “manter para memória futura” os hábitos e costumes angolanos, como o lenço de cabeça, “uma tradição como parte do vestuário tradicional”.
Kongo pretende homenagear a capacidade de luta da mulher angolana não só no processo que conduziu à independência, mas desde os primórdios dos contactos com os europeus, altura em que a raínha Njinga Mbandi “melhor defendeu os interesses de Angola em termos de independência cultural e social”, sendo encarada como “fundadora da nação” e “estratega militar e diplomática”.
“No resto do tempo de luta pela restauração da nossa independência, as mulheres desempenharam um grande papel”, transportando a “arma e enxada numa mão, e na outra o bebé, o que demonstra a sua força nesta luta”, refere o autor.
Kongo sublinha que esta luta da mulher angolana atualmente “continua, em especial por aquelas camadas sociais menos capacitadas para manter a família em condições de sobrevivência”.
Numa nota do editor, José Marcelino Kongo refere que “a cultura de um povo é o bem comum mais precioso para a preservação e elevação do seu orgulho identitário”, sendo que o lançamento “pretende não só celebrar a independência de Angola, mas também inspirar as novas gerações na valorização das suas raízes e tradições, através da arte, da palavra e da música.
São cerca de 40 as fotografias captadas em cerimónias tradicionais em Luanda, acompanhados por textos e poemas do autor.
O lançamento do livro integrou as comemorações dos 50 anos da restauração da independência de Angola e contou com um momento musical protagonizado por Joze Marcelino e o grupo Abraçus.
Terça-feira foi feriado nacional em Angola, alusivo às comemorações dos 50 anos de independência do país, cujo ato central decorreu na Praça da República e foi presidido pelo Presidente angolano, João Lourenço, contando com a presença de centenas de convidados, entre chefes de Estado e de Governo de vários países, dos quais Marcelo Rebelo Sousa.
No apresentação do livro, em Ponta Delgada, Iva Matos, diretora da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, também ela angolana, destacou a luta feminina e apontou o exemplo de Njinga Mbandi e a forma como “enfrentou a invasão portuguesa”, com “coragem e inteligência”, sendo uma “fonte de resistência ao colonialismo europeu”.




















