O Chega/Açores anunciou hoje que questionou o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) sobre a manutenção da interdição da captura de mero na região, por a situação representar “perda de rendimentos e de recursos para os pescadores”.

A captura de meros nos Açores está proibida desde setembro de 2024, depois de terem sido detetadas alterações ao comportamento destes peixes, passando a espécie e ser monitorizada.

Na ocasião, na sequência de vários avistamentos nas águas da região de arrojamentos e mortes, o Governo dos Açores interditou temporariamente a pesca de mero.

No entanto, o Chega/Açores referiu hoje em comunicado que “tem vindo a ser relatado um aumento significativo de meros nas zonas costeiras e nos pesqueiros tradicionais, incluindo exemplares de grande porte”.

Num requerimento enviado hoje ao executivo regional através do parlamento dos Açores, os deputados do Chega querem saber quais as razões científicas e técnicas que justificam a manutenção da interdição da captura daquela espécie na região.

Os parlamentares querem também ter acesso aos resultados de estudos e monitorizações que tenham sido realizadas na região relativamente ao estado populacional da espécie.

No documento, lê-se que “é frequente a captura acidental de meros, sendo os pescadores obrigados a devolvê-los ao mar” devido à proibição de captura, no entanto, “como os animais sofrem barotrauma quando são trazidos das profundezas para a superfície, os danos impedem o peixe de regressar ao fundo”.

Na prática, acrescenta o partido, mesmo que libertado vivo, “o exemplar acaba por morrer à superfície”.

Assim, os deputados do Chega/Açores querem saber se está prevista a eventual abertura da captura de meros na região ou se está a ser ponderado um regime de “captura limitada, controlada ou experimental em zonas onde se verifique uma elevada densidade de exemplares”.

Para o deputado José Paulo Sousa, citado na nota, a proibição de captura de meros representa, por um lado, “uma perda de rendimentos e de recursos para os pescadores, e, por outro, um impacto ambiental desnecessário, contrariando o próprio propósito de conservação da espécie”.

“A elevada abundância de meros poderá estar a afetar o equilíbrio ecológico local, exercendo pressão sobre outras espécies de interesse comercial e alterando a dinâmica dos ecossistemas costeiros”, concluiu.

A Secretaria Regional do Mar e das Pescas revelou, em outubro de 2024, que a morte de meros no mar dos Açores se deveu a um vírus que provoca a destruição do sistema nervoso central e do olho desta espécie de peixe.

“Os peixes meros morreram por ação de um agente patogénico de natureza viral responsável por retinopatia e encefalopatia viral, ou seja, morreram por ação de um vírus que provoca a destruição do sistema nervoso central e do olho”, referiu a tutela, com base no resultado de um estudo resultante de um protocolo do Governo dos Açores com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Na nota de imprensa foi apelado à população que “não consuma estes peixes” e referido que a pesca se mantinha interditada para “dar continuidade aos trabalhos de monitorização para recolha de informação adicional pelas entidades competentes e comunidade científica”.

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