Há um consenso neoliberal de longo tempo entre PSD, CDS e PS, ao qual se juntaram, desde o momento da sua fundação, CH e IL. Para assegurar a sua sobrevivência, cada um esconde-o o melhor que consegue. Contudo, no essencial, poucas diferenças há. Para a maioria, temos desregulação das leis do trabalho e desvalorização dos serviços públicos essenciais. Para a minoria privilegiada, há facilidades e enormes quantias de recursos financeiros públicos.
Para ilustrar o que digo, vou recorrer a três factos.
A política da saúde – ou melhor, política da doença – do governo do PSD/CDS não é nova. Vem na sequência das opções do governo do PS, sobretudo a partir de 2019. Os enormes problemas começaram há muito e resultam da transferência de recursos públicos para os grandes grupos privados da doença. Ao longo dos últimos 25 anos, foi sempre crescendo a verba que saiu do Serviço Nacional de Saúde e foi entregue a grandes grupos privados.
O orçamento para 2026, marcado pela austeridade acelerada, vai ser viabilizado pelo PS. CH e IL podem assim votar descansados contra um orçamento com o qual concordam. A chamada abstenção exigente cai por terra quando o PS assumiu que viabilizará um orçamento que mais parece saído da troika, mesmo que nenhuma das suas exigências seja, na prática, acolhida…
Por sua vez, as propostas de alteração à legislação laboral, saídas do século XIX, terão o apoio do CH e da IL. Contudo, a história mostra que o PS não reverterá, no futuro, aquilo que, agora, diz discordar… Legalizar o despedimento sem justa causa, alargar o horário de trabalho, inviabilizar o direito à greve e condicionar gravemente a liberdade sindical são exemplos do atentado ao Estado de Direito, ao direito à resistência e à própria Democracia!
Este consenso é construído bem longe dos olhares de quem sofre os seus efeitos. O liberalismo económico que defendem estas 5 forças políticas serve um punhado de privilegiados que, sozinho, acumula mais riqueza que a maioria dos trabalhadores e pensionistas. Contudo, este consenso será quebrado amanhã, na manifestação da CGTP, e será derrotado, tal como já foi no passado!




















