A Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores (ACPA) manifestou hoje “profunda perplexidade e preocupação” face à decisão da SATA Air Açores de introduzir uma nova taxa no transporte aéreo de carga entre as ilhas, com “profundas implicações económicas e logísticas”.
“A medida, que entra em vigor a partir de 01 de novembro, introduz a taxa de ‘raio-X’ no valor de 0,11 euros/kg, com um valor mínimo, por consignamento, de 6,00 euros, algo que acontece pela primeira vez no transporte aéreo no arquipélago”, refere a associação, em comunicado de imprensa, crticando o facto de a medida ter sido tomada “sem consulta prévia aos operadores económicos”.
De acordo com a Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores, a taxa “afetará gravemente” as empresas regionais e, em particular, do setor do pescado, que “são as responsáveis pelo maior volume de carga aérea transportada entre as ilhas”.
Além disso, acrescenta, afetará “os produtores e comerciantes locais que dependem do transporte aéreo para garantir o abastecimento” nas nove ilhas açorianas.
“As consequências serão inevitáveis: aumento dos custos, perda de competitividade, perturbação logística e, consequentemente, o encarecimento do custo de vida para os consumidores açorianos”, salienta a associação.
A ACPA lembra que já tinha alertado em junho para os efeitos negativos do aumento das taxas de ‘handling’, tendo realizado reuniões com a administração da companhia aérea SATA e com a Direção Regional da Mobilidade, onde apresentou “uma contraproposta fundamentada, que até à data não mereceu qualquer resposta”.
“Esta nova taxa é mais um duro golpe para a economia regional, particularmente num arquipélago em que a insularidade e dispersão geográfica já impõem custos logísticos muito elevados”, argumenta a associação, alegando que o impacto da medida vai estender-se “a toda a cadeia económica, penalizando especialmente os produtos perecíveis, como o pescado fresco, que depende indubitavelmente do transporte célere entre as ilhas”.
A ACPA considera urgente reavaliar a decisão, apelando ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), à SATA e às entidades competentes para que promovam “um diálogo transparente e participado com os setores afetados”, para que sejam encontradas “soluções equilibradas e justas”.




