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Há uma semana, abordei o problema com as contas públicas regionais, cuja origem está no modelo económico e social dos Açores.Justifico esta afirmação com um caso que faz amanhã 10 anos. Terminavam os 4 anos do governo do PSD/CDS de má memória. Entre 2011 e 2015, o país ficou mais desigual, mais dependente, mais frágil e mais pobre.Luís Montenegro, na altura deputado do PSD, afirmava que os portugueses estavam pior, mas o país estava melhor.

Com as legislativas de 2015, formou-se um governo minoritário do PS. Apesar da resistência do PS, foi com a ação do PCP e da CDUque se abriu caminho a alguma recuperação de rendimentos dos portugueses – ainda que muito longe do que teria sido possível. Houve um aumento geral dos salários, o que levou a direita a avisar que vinha aí o diabo e o descalabro das contas públicas.Odiabo, ninguém o viu.As contas públicas melhoraram com mais despesa pública, o aumento dos salários e o desenvolvimento da economia.

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Mais: o aumento dos salários não trouxe mais inflação, deitando por terra esse dogma do ultraliberalismo, da direita e também do PS (apesar da timidez em reconhecê-lo). Pelo contrário, nos últimos 10 anos, foi quando os salários estagnaram que o custo de vida mais cresceu, pelo que o culpado será outro…

A conclusão a tirar daqui é que a política do governo Regional, que agrava as desigualdades sociais ea pobreza, é a mesma que corrói as finanças públicas. Podem dizer, com razão, que esta afirmação peca por simplista. Contudo, este é um problema estrutural que tem de ser decisivamente enfrentado.

Dou dois exemplos de como o governo regional o pode fazer: dinamizar a contratação coletiva, dando prioridade à justa distribuição da riqueza que já é gerada nos Açores; edar prioridade às pequenas empresas nos apoios públicos, associando-os à melhoria dos salários e das condições de trabalho.Como afirmam o PCP e a CDU, este é o caminho para aumentar o consumo interno e dinamizar a economia. Pelo caminho, dará finanças públicas mais saudáveis.Infelizmente, preso nas suas contradições, há quem, dizendo-se de esquerda, o esqueça facilmente…

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