O candidato do partido ADN à presidência da Câmara de Ponta Delgada, Rui Matos, disse hoje que o presidente da autarquia “enganou todos os comerciantes” ao encerrar a baixa da cidade ao trânsito, quando afirmara que o encerramento seria temporário.
Rui Matos, comerciante, recorda que “foi dito há quatro anos, na Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada”, que o encerramento da baixa era “por um período experimental”, tendo “enganado todos os comerciantes”.
Em 03 de dezembro de 2021, o município liderado pelo social-democrata Pedro Nascimento Cabral anunciou que, de 09 de dezembro até 02 de janeiro de 2022, a circulação automóvel estaria proibida em várias ruas do centro histórico.
A medida passou de provisória a efetiva em 04 de janeiro desse ano, sendo uma decisão que os comerciantes têm vindo a criticar, alegando ausência de uma “estratégia” para o centro histórico da cidade açoriana e quebra do movimento, tendo colocado cartazes em vários estabelecimentos como forma de protesto com a frase “Também Somos Ponta Delgada”.
A Câmara Municipal de Ponta Delgada considerou, na altura, que “as alterações ao trânsito no centro histórico visam tornar Ponta Delgada numa cidade verdadeiramente sustentável do ponto de vista ambiental, social e económico”.
“Passados quatro anos, temos uma cidade praticamente inteira fechada”, afirma o candidato da Alternativa Democrática Nacional (ADN) à agência Lusa, recordando que em grandes cidades como Paris, por exemplo, esta não é uma realidade.
Rui Matos não defende a reabertura total do centro histórico, “mas pelo menos algumas artérias de escoamento do trânsito”, gerando a “possibilidade de as pessoas passarem e terem a possibilidade” de descerem junto às lojas para realizarem compras.
O candidato refere que os comerciantes da baixa de Ponta Delgada têm vindo a registar “quebras de 50%” nas vendas, havendo lojas que estão a encerrar, e refere que uma das principais artérias da cidade, que encerrou ao trânsito há décadas, “hoje em dia é a rua mais deserta”, quando era a mais apelativa.
“Ele diz que quis devolver a cidade aos cidadãos. Ele retirou a cidade dos cidadãos e, principalmente, dos comerciantes instalados nessa área, para a dar aos turistas, havendo agora só restaurantes, ‘gift shop’s’ e tudo o que está ligado ao turismo, como alojamentos locais”, sublinha o candidato.
O cabeça de lista do ADN considera também que dois novos miniautocarros elétricos, adquiridos pelo município para transporte gratuito de pessoas com mobilidade reduzida, seniores e grávidas, “estão praticamente inutilizáveis”, com as despesas inerentes.
São sete os candidatos à presidência da Câmara de Ponta Delgada nas eleições de 12 de outubro: o social-democrata Nascimento Cabral, Isabel Rodrigues (PS/BE/PAN/Livre), Alexandra Cunha (IL), José Pacheco (Chega), Henrique Levy (CDU), Sónia Nicolau (Ponta Delgada Para Todos) e Rui Matos (ADN).
No atual executivo, o PSD (que venceu as eleições de 2021 com 48,76%) tem cinco elementos contra quatro do PS (que obteve 37,33%), enquanto na Assembleia Municipal (51 membros) os sociais-democratas têm 25 mandatos.




