A ampliação da pista do Aeroporto da Horta, nos Açores, é uma obra considerada “estruturante” para os cinco candidatos à Câmara Municipal local, embora todos concordem que é responsabilidade da República e do Governo Regional, não do município.
“Nós assumimos a liderança política e concreta deste processo, porque entendemos que é um dos projetos verdadeiramente estruturantes para a ilha do Faial”, disse Carlos Ferreira, presidente da autarquia faialense e candidato a um segundo mandato pela coligação PSD, CDS-PP e PPM.
O autarca social-democrata propôs, no início do seu mandato, em 2021, que a Câmara da Horta devia “liderar” o processo com vista à ampliação da pista do Aeroporto da Horta, dos atuais 1.500 para 2.050 metros de comprimento, embora a infraestrutura aeroportuária seja gerida pela ANA/VINCI.
“Conseguimos garantir do Governo dos Açores o compromisso de assumir 40% do apoio financeiro para a elaboração do projeto de ampliação, correspondente a 800 mil euros, com a garantia de que o Governo da República financiaria 1,2 milhões de euros [o equivalente aos restantes 60%]”, recordou Carlos Ferreira.
O projeto foi adjudicado, na sequência de um concurso público internacional, entretanto lançado, mas as empresas que estão a elaborar o documento solicitaram “trabalhos complementares”, com vista à realização de um levantamento topográfico das áreas adjacentes da pista e, também, realização de estudos geofísicos e geotécnicos.
“É um projeto altamente exigente, em todas as suas dimensões”, recordou o candidato da coligação de direita, adiantando ter a garantia, porém, de que “o consórcio vai entregar, ainda este ano, o projeto de ampliação da pista”, para que, depois disso, a autarquia possa “trabalhar” com a República e com o Governo Regional, no sentido de avançarem com a obra, recorrendo a fundos comunitários.
Já Inês Sá, cabeça de lista do PS à Câmara Municipal da Horta nas eleições de 12 de outubro, acusou a autarquia de “falta de transparência” neste processo, por não explicar ao eleitorado as razões deste atraso na concretização do projeto de ampliação da pista que, segundo o caderno de encargos, devia ter ficado pronto e entregue no passado mês de junho.
“Todos já percebemos que o prazo de entrega do projeto foi ultrapassado em dois meses, mas a verdade é que há um silêncio ensurdecedor em relação àquilo que se vai fazer, e é esta forma de fazer política com que nós não concordamos”, apontou a candidata socialista.
Na sua opinião, a ampliação da pista do Aeroporto da Horta “tem de ser feita”, mas entende que a Câmara da Horta tem de fazer mais “pressão” junto do Governo Regional e da República, para que a obra avance, ao invés da “inação completa” que tem marcado o processo nos últimos quatro anos.
António Faria Fidalgo, candidato do Chega à autarquia, discorda, no entanto, que a Câmara esteja a gastar tempo e dinheiro numa obra que não é da sua responsabilidade: “Isso é responsabilidade do Governo Regional e do Governo Central. A Câmara deve apoiar e reivindicar, sim, mas não ser a testa de ferro, digamos assim, da obra”.
Paula Decq Mota, candidata pela CDU, disse, por seu turno, estar mais preocupada com o processo de privatização da Azores Air Lines e da SATA Handling, que está em curso, e que, no seu entender, poderá comprometer o futuro das ligações aéreas para a Horta. “Podemos reivindicar a ampliação da pista, e eu quero que ela aconteça, mas o que é que nos interessa isso se, depois, não temos uma companhia aérea que voe para o Faial?”, questionou.
Por sua vez, Tomás Melo, cabeça de lista do Bloco de Esquerda à Câmara da Horta, manifestou a sua “insatisfação” por este ser considerado um dos “temas principais” da campanha autárquica, quando, na verdade, não se trata de uma obra que seja responsabilidade direta do município.
“O presidente da Câmara tem de exigir e lutar junto do Governo Regional para que a ampliação se faça, mas não é a autarquia que tem capacidade de garantir 70 milhões de euros para resolver um problema que é da VINCI”, frisou o candidato bloquista.
A Azores Air Lines opera, atualmente, entre Lisboa e a Horta, com aviões A320, mas com penalizações de peso, em termos de carga e de número de passageiros, atendendo à reduzida dimensão da pista.




