A Câmara de Velas, na ilha açoriana de São Jorge, requalificou o forte da Urzelina, com o seu presidente a considerar hoje que o Governo Regional deve intervir no forte de Santa Cruz, que “precisa urgentemente de uma reabilitação”.
O autarca Luís Silveira disse hoje à agência Lusa que o município investiu cerca de 250 mil euros na requalificação do forte da Urzelina, que passa a integrar, a partir de terça-feira, a Rota Turística Vivências da Nossa Terra.
Na época dos Descobrimentos o concelho de Velas recebia as caravelas portuguesas e era um local muito saqueado pelos piratas, daí que, só em redor da vila, foram construídos cinco fortes e uma muralha, “apenas com dois portões de acesso ao mar, que eram abertos de manhã e fechados ao final do dia”, lembrou o autarca.
Fora da vila existiam outros fortes, como o da freguesia da Urzelina, que era propriedade do Estado Português e que depois passou para a tutela da Junta de Freguesia, que fez um protocolo com a Câmara. Para a sua reabilitação, o município apresentou uma candidatura ao programa comunitário Mar2020.
A intervenção realizada no monumento permitiu recuperar as muralhas, o canhão ali existente e as infraestruturas de apoio que foram criadas no seu interior há cerca de 35 anos (instalações sanitárias, bar e esplanada).
“Nós requalificámos todo esse espaço e, portanto, por um lado, [o objetivo foi] preservar aquilo que é a nossa identidade, aquilo que é a nossa história, através do forte da Urzelina, mas também permitindo ter um lugar aprazível” para os visitantes, disse Luís Silveira.
Como complemento à intervenção, o município está a elaborar três painéis, através da Casa-Museu Cunha da Silveira, com informação histórica do local.
O forte requalificado vem juntar-se à Torre da Urzelina (que é tudo o que resta de uma igreja que foi destruída pela erupção vulcânica de 1808 em São Jorge), que recentemente foi classificada como monumento de interesse municipal, numa altura em que o turismo está em “forte crescimento”.
Luís Silveira referiu que no concelho, além da Urzelina, existem outros fortes, como os do Carregadouro e das Manadas, e que, na vila das Velas estão três reabilitados e um por reabilitar.
Foram reabilitados o que resta do forte junto ao palco dos pescadores, o da Conceição (está integrado no auditório municipal) e o forte das Ladeiras (onde recentemente foi recuperada uma peça canoeira que foi colocada no seu lugar de origem).
Um outro forte, o de Santa Cruz, que se encontra no atual parque de combustíveis, adjacente à gare de passageiros, “precisa urgentemente de uma reabilitação”.
“É património da região. O Estado já passou aquele forte à região há uns anos a esta parte. Nós próprios já chamámos a atenção ao Governo [Regional] para esse facto, da importância que tem não só retirar o parque de combustíveis de dentro daquele forte e do centro histórico da vila, mas reabilitar o próprio forte e, sobretudo, as suas muralhas, que são bonitas e que traduzem (…) a nossa história, e que estão adjacentes ao parque de estacionamento da gare de passageiros, sendo a nossa porta de entrada e de saída marítimas”, afirmou o autarca.
As obras de requalificação do forte da Urzelina vão ser inauguradas na terça-feira, pelas 18:30 locais (mais uma hora em Lisboa).
O forte da Urzelina “remonta provavelmente à primeira metade do século XVI”, segundo informação disponibilizada pela Câmara Municipal de Velas.
Ainda de acordo com a autarquia, “durante a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) abrigou em suas dependências um destacamento militar, segundo é referido por Francisco Drumond Ferreira, nos Anais da Ilha Terceira”.
O monumento foi recuperado no final do século XX, encontrando-se “ornado com uma antiga peça de artilharia”.




