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Crescem as preocupações sobre as contas públicas regionais. O desajuste da lei das finanças regionais explica uma parte do problema, mas está longe de explicá-lo no seu todo… Seria bom que, da parte do governo, dos deputados e de alguns setores da sociedade civil, surgisse a reflexão sobre as causas da doença. Infelizmente, não tem sido assim.

Assistimos à desorientação mal disfarçada entre os eleitos nos órgãos de poder regional. Falta a reflexão sobre a origem do problema, algo que consideraríamos inaceitável noutras circunstâncias. Se, numa ida ao médico, nos for receitado aleatoriamente um medicamento, sem haver diagnóstico para a doença que nos aflige, ficaremos certamente zangados e, pior que isso, a doença não passará.

É fácil de perceber porque estamos neste contexto. Quem beneficia deste mesmo modelo socioeconómico não o contesta. Quanto ao governo Regional e a quem subscreve a sua política, estão comprometidos com um modelo económico e social que produz, ao mesmo tempo, crescimento económico e pobres. É um cenário digno do final da monarquia francesa: não têm pão? Comam bolo lêvedo.

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O que temos é um perfeito exemplo do sistema político e económico a funcionar no seu pior, com o apoio claro da extrema-direita e do novo liberalismo, que pouco difere do século XIX, mas sem os méritos do de então. Infelizmente, e sem esquecer algumas diferenças de pormenor, há que convir que pouca distância há em relação aos governos do PS, que de socialistas não tiveram nada.

O desespero é tal que o governo regional nos garante que a resposta passa por privatizar tudo quanto dê lucro. Pensa na sua sobrevivência imediata, não vendo a perda de receita nem o aumento da despesa pública regional, do custo de vida e da dependência dos Açores face ao exterior. As opções políticas do governo Regional revelam assim que este não será capaz de cumprir os desígnios autonómicos.

Será útil procurar as causas do problema, que residem precisamente nos vícios do modelo económico instalado nos Açores há décadas. Nada para o qual o PCP não tenha repetidamente alertado. Mas esses serão assuntos do próximo texto…

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