Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA
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Os dias que correm são propícios a falar-se de educação. O arranque do ano escolar traz para a praça pública as virtudes, insuficiências e defeitos do sistema educativo, tudo discutido com mais ou menos paixão, em razão do envolvimento direto de cada um, das implicações que isso traz às suas vidas.

Como no futebol e na televisão, também na educação abundam os especialistas encartados, gente com inspiração sobrenatural que se sente habilitada, e até obrigada, a opinar sobre currículo, formação de professores, administração escolar, pedagogia, didática, e por aí fora.

Vai para dois, três anos, os primeiros dias de setembro viram surgir um novo assunto para estes debates, a falta de professores. Logo os mais entusiasmados especialistas trataram de apontar o dedo, obviamente, à atual governação, fundados na ignorância, a razão costumeira.

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Sejamos claros. Entre 2020 e 2024 reformaram-se nos Açores 320 docentes e sabemos que a sua formação demora, no mínimo, cinco anos. Ou seja, a falta de professores que hoje existe não foi acautelada na governação socialista. Pelo contrário, o discurso oficial, repetindo até à exaustão a regressão demográfica, insinuava que a falta de professores não seria um problema.

Até 2031, só por limite de idade, reformam-se mais 900 docentes na Região. Estamos a ignorar essa circunstância? Claro que não. Uma bolsa para mestrados em educação, de quase 600 euros mensais, foi um primeiro passo para a captação e formação de novos docentes, ao mesmo tempo que os estágios voltaram a ser remunerados e a abertura de vagas em quadros de escola e de ilha tem sido uma constante.

Os incentivos ao ingresso na profissão docente vão ter de continuar, com ajudas à fixação de professores deslocados e uma justa dignificação da carreira. Também neste setor a despesa continuará a subir, por muito que os especialistas de pacotilha digam o contrário.

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