Uma “posição consensual” expressa no relatório intercalar da Ordem dos Arquitetos nos Açores sobre a fábrica do açúcar da Sinaga aponta para a musealização do espaço, mas vão ser analisados os impactos económicos e sociais.
Segundo o documento da Secção Regional da Ordem dos Arquitetos, o programa da futura intervenção para requalificação do complexo industrial da antiga fábrica do açúcar possui um “consenso que norteia para a musealização do espaço sob a temática da agroindústria ou da industrialização em São Miguel, equipamento intergeracional, parque de estacionamento destinado a moradores e espaços multiculturais”.
Acrescem “comércios e serviços, zonas verdes, com eventuais equipamentos de lazer e desportivos, e habitação acessível”.
A futura intervenção ainda “será definida pela Comissão de Trabalho com base numa análise metodológica que avalie os impactes económicos, sociais, ambientais e culturais”, de acordo com a Ordem.
O Governo dos Açores e a Ordem dos Arquitetos celebraram em novembro de 2024 um acordo para encontrar uma “solução conciliadora” para a requalificação das antigas fábricas do açúcar e álcool da Sinaga, localizadas em Ponta Delgada e Lagoa, respetivamente, na ilha de São Miguel.
A Secção Regional da Ordem dos Arquitetos estima que “no último trimestre deste ano de 2025 a Comissão de Trabalho deverá concluir o documento com a proposta de programa e medidas a desenvolver para a requalificação da fábrica” do açúcar.
A Ordem emitiu ainda um outro relatório intercalar sobre a fábrica do álcool referindo que o “consenso aponta para mercado de produtos gastronómicos locais e outros (destinado a artesãos e artistas) e oficinas criativas/espaços de ‘coworking’ e sala multiúsos (equipado com copa para eventual apoio)”.
Preveem-se também espaços de restauração e cafetaria, comércios e serviços, “empreendimento turístico (com elementos diferenciadores de valorização da identidade industrial), espaços verdes e de lazer (destinados a várias faixas etárias)”, entre outras valências.
A Comissão de Trabalho, com base num estudo a desenvolver, “terá em consideração as condicionantes de ocupação, o enquadramento nos instrumentos de gestão territorial e os respetivos impactes arquitetónicos e urbanísticos”.
O documento será também concluído no último trimestre de 2025 “com a proposta de programa e medidas a desenvolver para a requalificação da fábrica do álcool”.
Ambos os documentos serão entregues pela Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitetos à Secretaria Regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública do Governo dos Açores.
A Câmara de Ponta Delgada revelou a intenção de ver construída uma central de camionagem nos terrenos da fábrica do açúcar, tendo o Governo Regional, em janeiro de 2022, considerado “interessante” a ideia de um museu naquela antiga açucareira, que foi alienada em 2010 pelo executivo açoriano.
Por seu turno, o coletivo MOVA – Movimento pela Arte e Cultura nos Açores defendeu a requalificação da antiga fábrica de Ponta Delgada como centro multidisciplinar de cultura, habitação, desporto, espaços verdes e memória industrial.
Segundo aquele movimento, a proposta assenta “em princípios de sustentabilidade ambiental e justiça social”, com a adaptação dos edifícios existentes a novos usos, mas sem demolições e valorizando “a história e memória do lugar”.




