Perde-se no tempo o dia em que tomei o primeiro café. A idade vai gerando esta coisa, umas vezes o preço, outras o privilégio, de não contabilizar dias, meses e anos sobre um facto. Sei que durante meses interrompi o consumo da deliciosa bebida, depois de ter sido atirado para uma cama de hospital, por intermináveis dez dias.
Mas, isso pouco importa agora para o fim desta crónica. Em rigor, não é uma crónica sobre o café, os seus aromas, torrefação, ritual de consumo, efeitos, origens, respetivas máquinas, cafeteiras, chávenas, e do açúcar e adoçante que o acompanham, ou não. Nem tão pouco dos seus epítetos – expresso, bica, cimbalino, cafezinho… e por aí fora.
Já será mais certo tratar do preço de um café. Também perco no tempo o valor pago pela chávena, cheia como é da minha preferência – quarenta escudos, talvez sessenta – à beira de o euro se generalizar. Com a nova moeda, o preço foi incrementando, quase sem darmos por isso.
Hoje, numa esplanada modesta, emborcamos o café por um euro. Ou à volta disso.
E era aqui que eu queria chegar. As propinas universitárias vão ser descongeladas em 2026, passando a custar mais 13 euros por ano. Na prática, custarão mais um cafezinho por mês. Os 710 euros do próximo ano comparam, no entanto, com os 920 euros pagos pela minha filha há precisamente duas décadas.
Apesar do modesto aumento previsto, o valor de um cafezinho por mês empertigou os grupos parlamentares regionais do Bloco e do PS, despudorados autores de dois votos de protesto, devidamente chumbados pelo bom-senso dos restantes deputados.
Sai um café…




