O vice-presidente do Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), Artur Lima, disse hoje que a Europa “nem sempre percebe” a condição ultraperiférica da região, que lidera pelo exemplo na proteção do ambiente, na biodiversidade e nas energias renováveis.
Artur Lima, que recebeu em audiência o embaixador da Dinamarca, Lars Steen Nielsen, no âmbito de uma visita oficial de uma delegação de embaixadores de estados-membros da União Europeia a Angra do Heroísmo (Terceira), destacou a importância da condição ultraperiférica e arquipelágica dos Açores.
“De Santa Maria ao Corvo distam 600 quilómetros. Há que atender, por exemplo, às condições do transporte marítimo, às áreas da educação e da saúde nas nove ilhas açorianas”, afirmou Artur Lima, citado numa nota de imprensa do executivo regional.
Segundo o governante, as infraestruturas da região “têm de ser multiplicadas pelo arquipélago”, mas a Europa “nem sempre percebe esta condição ultraperiférica”.
Ainda de acordo com Artur Lima, os Açores são um dos maiores exemplos europeus na conservação da biodiversidade e também pela criação das Áreas Marinhas Protegidas, contudo “a Europa não considera esse valor, principalmente a dimensão geopolítica e geoestratégica” da região, mesmo tendo o arquipélago a maior Zona Económica Exclusiva da União Europeia e sendo a “fronteira ocidental da Europa”.
Artur Lima referiu também que “os Açores não veem o benefício da sua posição”, num momento em que é essencial potenciar a sua dimensão geoestratégica.
Na reunião, o vice-presidente do executivo açoriano transmitiu igualmente a preocupação da região com o novo Quadro Financeiro Plurianual.
“Lideramos pelo exemplo na proteção do ambiente, na biodiversidade, nas energias renováveis”, destacou, salientando, no entanto, que a proposta do novo orçamento europeu “desconsidera as Regiões Ultraperiféricas”.
Na sua opinião, é fundamental receber “apoio da União Europeia nos setores dos transportes aéreos e marítimos”.
“A posição do arquipélago açoriano representa custos acrescidos, no preço de bens, por exemplo, e tenho procurado sensibilizar as instituições europeias para estas matérias”, disse.
O governante lembrou também que os Açores e a Madeira “dão verdadeira dimensão ao país”, apesar de Portugal não prezar “essa dimensão atlântica”.
A deslocação da delegação de embaixadores de estados-membros da União Europeia acreditados em Portugal teve início na ilha de São Miguel, na segunda-feira, e prosseguiu hoje, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Paralelamente à audiência do embaixador da Dinamarca, decorreu uma apresentação sobre a Política de Coesão da União Europeia nos Açores proferida pelo diretor regional do Planeamento e Fundos Estruturais, Nuno Melo Alves.




