Contra o Clepsidra, o relógio de água, contra o relógio de sol e contra todos os outros. A Europa das instituições recorre ao relógio de morte, sendo que na analogia com um relógio de ponteiros, não consegue contemporizar a vida da concidadania europeia. Trata-se de um trágico medidor cronológico do regime de vigilância biopolítica, tão artesiano que a miséria latente estala a crosta terrestre de “confiança, ignorância e esperança” quanto a “vitalidade de um gato”, assim, sejamos segundo a perspetiva dostoievskiana, tolerantes, desde que isso… Estaline também era tolerante desde que isso significasse aprovação, caso contrário a deportação para a Sibéria cristalizaria a aceitação.
País a descarrilar não por bitola, todavia por, redundantemente qual foi o incidente? Não foi em Portugal? Não, em Portugal tudo prescreve. É na Quinta República de França, cujo lema, Liberdade Igualdade Fraternidade, desta vez não lograram um bode expiatório dreyfusiano. Da última escolha, hipótese há muito sussurrada, do primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, um low profile, amante da ordem, veremos se a escolha do presidente Macron é um reduto funcionalista do Renascimento macronista, versão napoleónica; alguém de confiança, fiel, prudente, sem iniciativa e medíocre, tal como Stefan Zweig n’O Minuto Universal de Waterloo, descreve o perfil psicológico do marechal Grouchy, escolhido pelo Corso para a batalha de Waterloo de uma guerra contra aos exércitos da Inglaterra, da Prússia, da Áustria e da Rússia, a Europa legitimista de então, de facto unida. Mas o marechal indeciso e incapacitado pelo servilismo chegou atrasado e traçou a história da França em Waterloo, hoje parte da Bélgica. Mais de duzentos anos depois, o percurso político da Europa tem infletido para a plutocracia sobre decisões tardias contadas ao segundo de morte batizado em Waterloo e ilusório controlo do exercício livre da palavra condicionado pelo discurso oficial, vulgar e inane, sobre as diversas áreas como, na Defesa, na Migração, na Habitação, nas Abreviaturas, etc., de diluição dos Tratados e obsidiante corrupção.
Como o discurso de Emmanuel Macron de 25 de abril de 2024 na Sorbonne, depois do primeiro, sete anos depois, que de concreto alegou ter alcançado a unidade e soberania… suspendamos por momentos a respiração. Neste momento do segundo mandado do seu ‘consulado’ reconfirma algo espúrio e invólucro de poujadisme inoculado no partido, Renascimento, ainda não redesenhou a sua posição no casus belli de recapitalização ao Poder. Todavia há um provável plano B, um famigerado, ainda com ‘baixa’ densidade, relatório sobre a infiltração da Irmandade Muçulmana, na Europa e nas instituições de França, uma ameaça à República, de colonizar em território francês perante o que não se reveem, por separação dos valores liberais. Entretanto a equação sobre o Hamas na qualidade de braço palestiniano da Irmandade Muçulmana, é um fundamento ‘no sense’. Com a ‘ascendência’ sobre o Hamas, o Qatar faz da França o segundo maior destino do seu dinheiro, com ativos avaliados em cerca 26 biliões de dólares, valores por atualizar, por defeito, não por excesso. Se suspenderam a respiração até ao fim deste parágrafo ganharam fôlego para sobreviver à opção extremista ‘etno-estratégica’ e insoumise de que Macron está tentado para servir o seu alinhamento à plutocracia. E assim consolidar a integração europeia por um totalitarismo de soberania partilhada. Ou seja, por contágio, porém complacente.
Na epidemia de transformações políticas e sociais, mudanças nas estruturas de poder globais, o forte contágio no momento por que via de prolongamento político do estado normal herdado, sobressaturado e antinómico alternado por evanescentes improváveis produtores de assomos de responsabilidade, se há de operar? A composição responsiva desconjunta-se na pergunta… nesse processo de génese que internaliza protagonistas vaidosos com legitimidade política, de complexo de superioridade académica, em conjugação com os tecnocratas e circo mediático, no lugar de fala em universidades estivais, a falar para dentro, sem qualquer propósito de finalidade do bonum commune, porém, ministeriável a ogiva de intervenções conquanto não fossem as convicções subscritas e afins do ideário porvindouro.
Conforme o formato de catequização. No do deslumbramento com os bem-aventurados, padrinhos e fontes de acontecimentos, os auditórios sazonais dispersam a fim de cada um tomar vez na fila do esperançoso futuro da transformação num tropismo prodigioso, no topo do quadro de honra dos scanners. Sim, gente transformada em scanners, com portabilidade partidária garantida e cabos USB para carregamento de experiência vívida dos mentores, uma vez reapropriada estarão prontos para a cronopolítica, não há tempo a perder. Como relembra o autor austríaco, judeu, “(…) a sorte não lhes concede uma segunda oportunidade (…)”, pois, na mira, “(…) o fio da fatalidade cai durante uma fracção de segundos em mãos de homens medíocres.”
Retornado ao projeto inovador, a União Europeia, supranacional quanto baste, precisa de novos defensores e não de ogres.




