Não é novidade para ninguém que a crise na habitação e as dificuldades das famílias são potenciadas pela atividade dos bancos, nomeadamente pelos juros que cobram e pela especulação que promovem. É o sistema capitalista e a sua política económica a funcionar, com inúmeros mecanismos apenas para transferir dinheiro dos cidadãos para os lucros de uma elite de privilegiados, alimentando um monstro que condiciona o nosso desenvolvimento social e económico. O resultado prático são despejos de habitações, casas postas à venda por incapacidade de pagar uma prestação que cresce todos os meses ou ter de escolher o que pagar: a comida, os remédios ou a habitação.
Há uma semana, foi conhecida mais uma benesse exclusiva dos donos dos bancos, que contrasta com a atuação pesada para com qualquer cidadão anónimo que falhe um euro da sua prestação: confirmou-se a anulação de 225 milhões de euros de multas passadas aos bancos, por atividades ilegais. Foram 11 anos a combinar preços, taxas e spreads, e ainda não terminaram. As multas foram perdoadas não porque tenha sido demonstrada a inocência. Muito pelo contrário, foi provado o roubo, tornado agora legal. O que aconteceu foi a prescrição por ultrapassagem dos prazos legais, o que torna o caso escandaloso.
Este é um caso embaraçoso para os partidos do sistema, em particular para os que procuram tempo de antena com aquilo a que chamam de subsidiodependência. A diferença de atuação é fácil de explicar: num caso, tratam-se de tostões, no outro de milhões. Daí o embaraço com a situação. Têm de disfarçar o que ficou à vista e justificar o injustificável: um sistema que está construído como um campo de futebol inclinado de forma a favorecer sempre a mesma equipa…
Durante anos, disseram-nos que tudo isto era o mercado a funcionar. Agora, está à vista que funciona como um cartel, tornado legal pelo sistema que o produz. Este é um escândalo que ninguém pode aceitar. Por isso mesmo, e perante o silêncio dos partidos do sistema, o PCP chamou ao Parlamento o Banco de Portugal e a Autoridade da Concorrência. É preciso apurar as responsabilidades políticas deste crime!




