A RTP justificou hoje o recurso a soluções tecnológicas de videovigilância na delegação da Terceira, nos Açores, com a necessidade de contenção de custos, mas o município da Praia da Vitória, que cedeu as instalações, vai questionar a empresa.
“Vamos enviar uma carta, um pedido de justificação para esta tomada de posição, alertando para todas as situações, perante o investimento que o município fez, mas também no reconhecimento da mais-valia que [a delegação] é para o concelho e para a ilha”, afirmou, em declarações à Lusa, a autarca da Praia da Vitória, Vânia Ferreira.
Em causa está a intenção da RTP de abdicar de serviços prestados por uma empresa de segurança, em permanência 24 horas por dia, na delegação da ilha Terceira, que incluíam, além da vigilância do edifício “a gestão da frota, o atendimento ao público, o atendimento telefónico, a ativação e desativação de alarmes ou a iluminação de áreas comuns”, segundo os trabalhadores.
Na sexta-feira, o dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisuais (SINTTAV) Luís Nunes disse ter informação de que esses serviços deixariam de ser assegurados pela empresa de segurança no domingo.
A medida acabou por não se concretizar no dia previsto, mas os trabalhadores da RTP dizem não saber por quanto tempo a empresa de segurança continuará a assegurar estes serviços, nem quem os prestará depois.
Numa resposta por escrito à Lusa, fonte oficial da RTP disse que “a dificuldade em encontrar recursos para o desempenho das funções de vigilância e o aumento dos custos nos últimos anos, nalguns casos superiores a 35%, tem levado a uma aposta no desenvolvimento de soluções tecnológicas como videovigilância, controlo de acessos remoto, centralização dos serviços, etc”.
A empresa acrescenta que está “legalmente obrigada a conter os seus custos em fornecimentos de serviços externos” e que tem havido “um esforço permanente” em encontrar alternativas.
“A solução tecnológica preconizada não põe em causa a segurança, nem das instalações nem dos profissionais, e será reforçada com um serviço de rondas e de piquete 24 horas, que poderá ser rapidamente acionado, se necessário”, assegurou.
Segundo a mesma fonte, estas medidas “estão a ser implementadas em todas as delegações ou locais da RTP com menos de 25 trabalhadores, onde o acesso de visitas e entidades externas é residual”, estando já implementado em Faro “há dois anos”.
“Os novos sistemas em implementação darão total autonomia aos trabalhadores sem necessidade de intervenção externa. A possibilidade de abertura remota, a partir de Lisboa ou de Ponta Delgada, representa uma salvaguarda, apenas utilizada em caso de necessidade”, acrescentou.
O edifício onde a delegação da ilha Terceira da RTP/Açores está instalada foi cedido pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, através de um protocolo assinado em 2015.
“O município assumiu um investimento avultado, disponibilizando as instalações onde a delegação está instalada. Esta disponibilização foi a título perpétuo. Não há aqui um término desta contratualização”, salientou, em declarações à Lusa, a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira.
Além da cedência gratuita de uma antiga escola primária, após obras de reabilitação também suportadas pelo município, foram disponibilizados lugares de estacionamento e comunicações por fibra ótica.
“O protocolo não prevê qualquer registo de número de funcionários, mas também percebemos que este investimento foi feito de forma a garantir a vinda de mais pessoas para a Praia da Vitória e de serviços com uma porta aberta disponíveis para a comunidade”, lembrou a autarca.
Vânia Ferreira, que se reuniu com dirigentes sindicais na sexta-feira, disse ter recebido com “algum descontentamento” a informação de que a delegação podia passar a funcionar de portas fechadas, sem funcionários na receção.
“Temos noção da resposta que esta delegação do centro regional dos Açores na Terceira assume e, por isso, não posso deixar de ficar muito preocupada com a possibilidade de fecho desta porta”, frisou.
Segundo a autarca, a concretizar-se esta medida, a delegação fica “fragilizada”, com constrangimentos para os seus trabalhadores, mas também para a comunidade em geral.
“Isto prende-se com situações administrativas e redução de custos, mas tem de haver um meio termo e os serviços mínimos têm de estar assegurados. Numa situação como esta isso não está acautelado”, apelou.
Vânia Ferreira disse esperar ainda que a decisão possa ser revertida.
“Temos de solicitar o máximo de informação perante esta tomada de posição, que me parece que poderá ter sido prematura, até porque há uma falta de informação aos próprios técnicos que lá trabalham”, alertou.




