O líder do Chega/Açores defendeu hoje a transferência da quota de pescado disponível na região, criticou o Governo Regional pela forma como está a tratar o assunto e alertou que o executivo pode “cair” mais uma vez.

No final de uma reunião com pescadores do porto de São Mateus, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, onde a quota de pesca de alfonsim e de goraz foi esgotada, José Pacheco adiantou que o partido vai apresentar uma resolução ao Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) para que, até final do ano, seja aberta “a quota regional para todos”.

“Eles [pescadores] estão a apanhar 80 toneladas, nós podemos ir até 150 toneladas. […] Porque é que se está a restringir?”, questionou o também líder parlamentar do Chega/Açores.

José Pacheco disse que o partido não se irá calar, até os governantes perceberem que o mar dos Açores “é dos açorianos, gostem, não gostem, queiram ou não queiram”.

Na sua opinião é possível transferir as toneladas de pesca ainda disponíveis na região “para as ilhas todas” e “criar um equilíbrio”.

“Nós somos uma única região, chama-se Açores. Não há aqui ilha A, ilha B, ilha C. Quando o pescador das Flores estiver feliz e o pescador de Santa Maria estiver feliz, o pescador de São Miguel tem que estar feliz também e o da Terceira também”, afirmou.

Questionado por a Associação Terceirense de Armadores ter exigido a demissão do secretário regional do Mar e das Pescas, na sequência da rejeição de alfonsim atirado ao mar, e de o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, em declarações à RTP-Açores, ter afirmado que mantém a confiança pessoal e política no governante, Pacheco lembrou que o anterior executivo de coligação não chegou ao fim da legislatura e que o atual também pode “cair”.

“Eu não tenho medo das palavras e não faço ameaças. O senhor presidente do Governo sabe muito bem. Sabem porquê? Esse Governo já caiu uma vez. Se tiver de cair mais uma, cai mais uma”, declarou o líder regional do Chega, partido que tem cinco lugares no parlamento dos Açores.

José Pacheco acrescentou que os políticos não podem “trabalhar contra as pessoas” e aquilo que está escrito nos cartazes do Chega é “para se levar a sério”.

“Somos a voz do povo e vamos ser a voz do povo, quer esses senhores gostem, quer não gostem. Um presidente do Governo que acha que se pode manter um secretário em funções contra a voz do povo, contra a vontade do povo […] se calhar, está na altura de se por a andar”, concluiu.

A Associação Terceirense de Armadores exigiu terça-feira a demissão do secretário regional do Mar e das Pescas, na sequência da rejeição de pescado (alfonsim), atirado ao mar.

“É isso que eu tenho a dizer ao Governo Regional. Que o demita [Mário Rui Pinho] o mais rápido possível para que as pescas andem para a frente. Não andam para a frente por causa do secretário das Pescas que temos”, acusou Paulo Melo, presidente da direção da Associação Terceirense de Armadores, em declarações aos jornalistas.

O armador terceirense reagia às críticas feitas por Mário Rui Pinho, que não gostou de ver os pescadores daquela ilha a devolverem ao mar dezenas de exemplares de alfonsim, capturados acidentalmente, e rejeitados por já não existir quota suficiente atribuída para a captura daquela espécie.

O governante, que já tinha afirmado que os pescadores terceirenses estavam a fazer uma má gestão da quota atribuída à sua ilha, e que pareciam estar a “pedir” para serem autuados pela Inspeção Regional das Pescas, desvalorizou as críticas dos armadores e garantiu que se vai reunir com o setor.

O secretário regional do Mar e das Pescas lembrou que foi a União Europeia quem determinou a aplicação de quotas e taxas para as várias espécies de peixe que são capturadas nos Açores, e que ao Governo Regional compete apenas gerir as quotas, em parceria com as associações de pesca.

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