A delegação da ilha Terceira da RTP/Açores pode deixar de ter serviço de segurança e receção a partir de segunda-feira, denunciou hoje o Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisuais (SINTTAV).

“A concretizar-se o encerramento do serviço de receção, no dia seguinte ninguém sabe de que forma tem acesso às instalações”, afirmou, em declarações à Lusa, o dirigente nacional do SINTTAV, Luís Nunes, funcionário da delegação da ilha Terceira da RTP/Açores.

Em julho, o deputado do PSD à Assembleia da República Paulo Moniz questionou o ministro da Presidência, por escrito, sobre a possibilidade de a RTP retirar os serviços de segurança e receção, em permanência durante 24 horas, das delegações das ilhas Terceira e Faial, substituindo-os por um vídeo porteiro a partir de Lisboa.

“Esta solução de controlo remoto a partir de Lisboa fragiliza a robustez de funcionamento, especialmente quando a RTP/Açores se torna vital no quadro de catástrofes e conforme se comprova pelo histórico recente”, alertou, na altura, o deputado social-democrata, citado em comunicado de imprensa.

O dirigente do SINTTAV disse ter indicação de que, pelo menos na ilha Terceira, a medida se concretiza a partir das 22:00 de domingo, mas os trabalhadores não têm informação de como entrarão nas instalações na segunda-feira.

“O SINTTAV já por duas vezes questionou a administração [da RTP] sobre este assunto. Houve uma primeira resposta, há algumas semanas, a dar como certo o encerramento deste serviço, mas sem referir a data, nem como se processaria o funcionamento da delegação após essa tomada de posição. No dia 01 não sabemos o que nos espera”, adiantou Luís Nunes.

Segundo o dirigente sindical, os funcionários de uma empresa de segurança contratada pela RTP não asseguravam apenas a vigilância do edifício, mas tinham ao seu cargo funções como “a gestão da frota, o atendimento ao público, o atendimento telefónico, a ativação e desativação de alarmes ou a iluminação de áreas comuns”.

Os trabalhadores não sabem por quem serão prestados estes serviços a partir do dia 01.

“São tudo incógnitas até ao momento”, reforçou Luís Nunes.

O dirigente do SINTTAV considerou que funcionamento da delegação da ilha Terceira ficará “no mínimo comprometido” com esta decisão.

“As pessoas nem se podem dirigir [à delegação], porque a porta estará fechada. É uma porta que se fecha na ilha”, lamentou.

“Como segunda maior ilha dos Açores, com a importância que nós temos no contexto dos Açores, é uma diminuição de importância e não sabemos se é um pronúncio de situações futuras mais agravadas”, acrescentou.

Os dirigentes do SINTTAV reuniram-se hoje com a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória a alertar para esta situação e admitiram “tomar outras ações” se os serviços forem encerrados na segunda-feira.

Em 2015, o município da Praia da Vitória assinou um protocolo, em que cedia uma antiga escola para a instalação da delegação da ilha Terceira da RTP, que até então se encontrava em Angra do Heroísmo.

A Lusa questionou a administração da RTP por escrito, mas até ao momento não obteve resposta.

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