Na semana passada, abordei a situação em Gaza e em toda a Palestina, onde viver é um pesadelo constante e cuja dureza é impossível descrever com rigor. A ação de Israel tem a cobertura cúmplice dos EUA, da União Europeia e da NATO. São suas as armas do genocídio, é seu o apoio político que permite a Israel transformar a ajuda humanitária e a alimentação num jogo mortal.
Em 1948, o Reino Unido, potência colonial que ocupava então a Palestina, entregou o território a Israel. Essa foi a solução que melhor serviu os seus interesses geopolíticos e económicos, à custa da desestabilização da região, como então se previa. Os factos não enganam: inúmeros conflitos se seguiram e Israel invade e agride regularmente os países vizinhos, ao contrário do que nos tenta fazer crer um exército de comentadores que é tudo menos isento.
Há 100 anos, o território foi prometido simultaneamente aos Palestinianos e a grandes empresários sionistas residentes no Reino Unido. O sionismo, doutrina nacionalista e racista, sempre considerou ter direito àquele território, apesar de nele coexistirem pacificamente diversos Povos. Foi esta jogada cínica que permitiu a Israel iniciar a expulsão dos Povos que considera inferiores.
A hipocrisia ocidental colabora no genocídio. É o apoio político e militar dos EUA, da UE e da NATO que permite o terror e a barbárie, só comparável à heroica resistência do povo Palestiniano. Foi o enorme movimento de solidariedade e de repúdio dos crimes de Israel que obrigou o governo português, tardiamente, a considerar a possibilidade de, em setembro, reconhecer o estado da Palestina. Contudo, continua o cinismo ocidental, como demonstra o seu silêncio perante as ameaças israelitas de ocupação de toda a faixa de Gaza e da Palestina.
Portugal deve exigir a criação de um estado Palestiniano viável e soberano, com as fronteiras anteriores a 1967, respeitando as resoluções da ONU. Novamente, pergunto: se fossem as nossas crianças, irmãos, pais, avós e amigos a morrer, o que faríamos nós? O reconhecimento do estado da Palestina deve ser imediato. Amanhã pode ser tarde demais.