Na semana passada, abordei, na minha Opinião Desportiva, as infraestruturas desportivas de São Miguel e partilhei a minha perspetiva sobre a sua adequação às diferentes modalidades.

Ao passar pelo polidesportivo de Santa Cruz, na Lagoa, constatei que o espaço foi adaptado para a prática de padel, modalidade atualmente em grande expansão, conferindo uma nova e útil função a um recinto que já conheceu tempos de glória.

Recordo, com alguma nostalgia, os muitos torneios de futsal que ali tiveram lugar, sempre com grande afluência de público a cada jogo disputado.

Neste mês de outubro realizam-se eleições autárquicas e o atual presidente, Frederico Sousa, já manifestou a intenção de lançar um “plano a dez anos”. Entre as prioridades que apresentou aos eleitores incluem-se investimentos na habitação, no abastecimento de água, na construção de uma ETAR e na requalificação da frente marítima da Lagoa. São medidas relevantes e que, certamente, agradarão à população.

Mas não será igualmente fundamental investir no desporto como forma de orientar os jovens para uma vida mais saudável, afastando-os do flagelo da droga?

A construção de um Pavilhão Municipal, que sirva as equipas do concelho, não se impõe cada vez mais? Atualmente, os clubes veem-se obrigados a treinar noutras freguesias, com custos acrescidos, e a situação arrasta-se sem solução à vista. Será aceitável que continue assim?

Uma cidade como a Lagoa, que se quer afirmar, deveria ter um Pavilhão Municipal digno e adequado à prática desportiva. Não podemos esquecer que foi berço do futsal e que o Clube Operário Desportivo levou bem alto o nome da cidade, chegando à 1.ª Divisão Nacional. Fala-se da existência de um terreno com boa área e bons acessos, suscetível de acolher o futuro pavilhão. Mas será que essa possibilidade é real?

Em Ponta Delgada, já referi a necessidade de substituir o piso de tacos do Pavilhão Sidónio Serpa, que conta com mais de cinquenta anos. Também as tabelas destinadas ao hóquei estão desajustadas e deveriam ser substituídas por outras, em materiais mais leves, que permitam a sua remoção sempre que necessário, tornando o recinto mais versátil para outras modalidades.

A área de jogo destinada ao hóquei poderia ser ajustada às dimensões máximas previstas nas Leis de Jogo (44 metros por 22), permitindo que o futsal fosse praticado numa superfície oficial de 40 por 20 metros e que o basquetebol tivesse melhores condições, sem necessidade de retirar as tabelas.

Não é por acaso que a Associação de Futebol de Ponta Delgada tem escolhido aquele pavilhão para finais de futsal, dada a qualidade que oferece. Contudo, é importante frisar que jogar num recinto de 18 x 36 metros é completamente diferente de jogar num de 40 x 20: exige outra técnica, outro tipo de movimentação e até uma abordagem tática distinta.

Com a recuperação desta instalação e a concretização de novos projetos, estou convicto de que atletas e modalidades sairão beneficiados, com claras melhorias no seu desenvolvimento.

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