O novo mercado municipal de Angra do Heroísmo, nos Açores, orçado em 12 milhões de euros, deverá começar a ser construído até junho, depois de um processo que se arrasta há cerca de 15 anos.
“Este processo tem uma história longa e complexa”, afirmou, em declarações aos jornalistas, o presidente do município de Angra do Heroísmo (PS), Álamo Meneses.
O projeto de arquitetura foi apresentado hoje, numa sessão pública no salão nobre da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
O consórcio que venceu o concurso de conceção-construção, composto pelas empresas Marques, Tecnovia e Transjet, prevê que a obra se inicie até junho, com um prazo de execução de 24 meses.
Este é quarto projeto criado para o novo mercado municipal de Angra do Heroísmo, que já teve previstas várias dimensões e localizações.
Numa fase inicial, a ideia passava por construir um mercado novo no local onde estava instalado o Mercado Duque de Bragança, no centro histórico da cidade.
A necessidade de mais espaço de estacionamento levou a uma segunda solução, que passava por construir o mercado noutro local à saída da cidade, no Cerrado do Bailão.
“Ao fazermos isso estávamos a deslocalizar também o centro da cidade em relação ao comércio tradicional. Depois de um processo complexo, conseguimos encontrar uma solução que foi adquirir uma parcela extra do terreno, que permitiu eliminar essas restrições de estacionamento”, explicou Álamo Meneses.
O novo mercado voltou à localização inicial, mas o projeto motivou uma queixa à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) devido à volumetria prevista, já que o centro histórico da cidade integra a lista de Património Mundial da organização.
Segundo o autarca, com o projeto agora apresentado, que prevê um parque de estacionamento subterrâneo, os constrangimentos apontados no anterior projeto não se verificam.
“Estes problemas foram ultrapassados com um investimento maior. O anterior projeto era feito ao nível do solo e ficava muito alto. Este foi todo enterrado. A cércea deste mercado é substancialmente inferior à cércea do projeto anterior, em contrapartida com a escavação. O andar inferior de estacionamento é todo ele abaixo do pavimento do atual mercado”, justificou.
Em 2020, a obra foi inscrita no orçamento municipal com uma verba de 6,5 milhões de euros, que quase duplicou em 2025 para 12 milhões de euros.
“Temos uma justa e razoável expectativa de conseguirmos algum grau de cofinanciamento [europeu] para o investimento”, adiantou Álamo Meneses, assegurando que os fundos estão devidamente acautelados nas finanças do município.
Instalado num terreno com cerca 3.200 metros quadrados, o novo mercado terá três pisos, incluindo um subterrâneo.
Nos dois pisos inferiores, haverá um parque de estacionamento pago, com capacidade para 220 lugares, casas de banho públicas e um snack-bar.
No piso superior, haverá uma praça coberta, com um palco, onde poderão ser realizados espetáculos, e espaços para 31 postos de venda, incluindo três talhos, três peixarias, três padarias e cinco espaços para cafés ou snack-bares, com uma esplanada virada para o centro da cidade.
“Este projeto vai ao encontro das tendências atuais dos mercados nas cidades, que deixaram de ser apenas espaços para venda de produtos hortícolas e de artesanato e passa também a ter espaços de lazer, de animação cultural e de fruição pública”, explicou Fernando Monteiro, do gabinete M Arquitetos.
Segundo o arquiteto, o projeto procurou abrir mais o mercado à cidade e integrá-lo numa zona classificada.
“Foi desde logo uma premissa muito importante para nós, tentarmos ser interventivos do ponto de vista da arquitetura, afirmativos, criar um edifício que venha ao encontro da expectativa dos moradores, dos utilizadores do espaço, mas por outro lado evitar que seja um elemento dissonante com o património que Angra oferece”, salientou.