O tema desta semana teria de ser, naturalmente, a análise da noite eleitoral no arquipélago da Madeira. De facto, as eleições legislativas regionais antecipadas na Madeira, realizadas a 23 de março, resultaram, como sabemos, na vitória inquestionável do PSD de Albuquerque. Como seria de esperar, o PSD saiu reforçado com quase 44% dos votos, tendo conseguido eleger 23 deputados, relembrando que ficou apenas a 300 votos e 1 mandato de obter a maioria absoluta no parlamento regional.

A maior surpresa terá sido, porventura, o desempenho do Juntos Pelo Povo (JPP), que conquistou 11 mandatos, pelo que conseguiu ascender à posição de segunda força política na região. A expressão eleitoral deste ato representa um crescimento significativo para o JPP, que anteriormente ocupava a terceira posição. Por outro lado, o Partido Socialista sofreu uma queda, garantindo apenas 8 mandatos, uma redução face ao alcançado no ato eleitoral anterior. O Chega, promotor da moção de censura ao governo de Albuquerque, foi castigado nas urnas, por ter sido o causador maior da instabilidade política regional. Se, por um lado, no número de mandatos alcançados, apenas teve uma redução de 1 lugar, por outro, o eleitorado madeirense mostrou claramente a descida na intenção de voto naquele partido.

De realçar é também a questão da taxa de participação eleitoral que foi ligeiramente superior à anterior, numa altura em que, com o cenário político instável derivado das sucessivas eleições que antecederam esta, previa-se que, com o desgaste associado à instabilidade política que se fazia sentir na Região, o eleitorado se pudesse afastar de todo este processo de tomada de decisão popular.

Mas o que nos dizem os resultados? A ascensão do JPP à liderança da oposição regional reflete uma mudança significativa no panorama político regional, decorrente de um descontentamento evidente relativamente aos partidos tradicionais, bem como por uma procura de alternativas que representem de forma mais adequada os interesses regionais. A queda efetiva do PS deverá ser motivo de uma profunda análise interna sobre a sua estratégia e da ligação com o eleitorado madeirense.

Os resultados destas eleições demonstram que o povo quer estabilidade política e governativa, pelo menos a curto e a médio prazo, visto que isso tem implicações diretas na vida dos madeirenses, não só a nível político mas também a nível económico e social.

Um governo suportado pelo PSD e CDS-PP garante estabilidade governativa e evita crises políticas que poderiam gerar grande incerteza, o que seria manifestamente nefasto para o desenvolvimento regional. Com este resultado, Albuquerque poderá implementar o seu programa sem grandes bloqueios parlamentares. Os madeirenses preferiram estabilidade e previsibilidade em detrimento de outras questões como os badalados escândalos judiciais que envolveram o líder do PSD Madeira e presidente do Governo Regional.

Agora, o Governo liderado por Albuquerque terá o desafio de responder às expectativas dos eleitores, garantindo uma estabilidade que necessariamente se terá de traduzir em resultados positivos e benefícios concretos para a população.

PUB