Há três anos, a 24 de março, dava-se o primeiro dia da ultrapassagem; a Ditadura havia durado 17 499 dias. Hoje, resultado da soma aos 17 500 dias de mais 3 anos de Democracia, permanente, na cronologia dos sistemas, das formas e dos regimes, de facto, a democracia foi muito para além da personalidade e do grupo que detinha o poder político; os assentos parlamentares, os perfis parlamentares, a alternância e as composições executivas dos governos mais ou menos enxutas.
Com a atenção contraditada a comparações supérfluas, entre o pior e o melhor dos direitos adquiridos, alerta! Sob pena de conformismo e estagnação perante o autoritarismo de produção unanime formulada aritmeticamente, ou seja, o risco de autoritarismo patente na substância, democrático na formalidade e vulgar na discussão.
Certa gramática está associada à concorrência entre partidos catch-all, que ultrapassou os tradicionais, com efeitos e debilidades das estruturas internas, erosão acentuada nas crises económica e política, prolongadas. Continuo a sublinhar, sem comparações entre a censura intrínseca do Estado Novo e os artifícios e literalismos que acompanham a necessidade de ‘certa literacia’ que obscurece artificialmente os factos que são claros e evitar que as legislaturas se completem, redundando em governos a termo incerto, por ângulos literais diversos, atomizados, do Presidente da República, ou por uma espécie de habeas corpus dos primeiros-ministros que no último caso, por moção, não afasta a hipótese do suicídio político.
Pertence a Jules Simon, primeiro-ministro de França (1871 e 1877) a afirmação de que “As assembleias políticas são o lugar da Terra onde se repara menos no brilho do génio. Levam em conta apenas uma eloquência adequada ao tempo e lugar; e serviços prestados não ao país, mas às partes.”. Por maioria de razão, a democracia, em Portugal, tem gerado nas manobras dilatórias, legislaturas de curto prazo de alta rotação o que tem reformulado a popularidade inconsciente de ‘novas’ palavras e expressões, por exemplo, a “Bomba Atómica” marcelista a que não resistiu o Presidente da Assembleia da República.
No topo dos atores, representantes de pouca correspondência com a realidade, organizados em forças regeneradoras de si mesmas, o ‘dramaturgo-mor’ da AR desligado dos atos vitais da figura de Estado, não obstante, em vez da equidistância de representante de órgão de soberania, desqualifica a derradeira condição com inelegante linguagem, a promover ondas de choque entre partidos com representação parlamentar por equações de baixo prestígio e alto custo para a Democracia como a de, 6 dias X 6 anos. ‘Puro preconceito democrático…’ não disse hílare, no esgar.
No capítulo das responsabilidades políticas – Incerteza, Insegurança, no cúmulo da falta de confiança, a contração do consumo e do investimento; os projetos profissionais, empresariais, compromissos de família, no contexto de gerações jovens sob a prospetiva de futuro, tudo de encontro ao novo adiamento e irremediáveis pelo conjurado espetro de discussões intermináveis, em modo espinhoso e “pratos limpos”.