Em tudo na vida e em todos os tempos há militantes do saudosismo, gente apegada ao que já foi e deixou de ser, gente disposta a rasgar as vestes por um passado incondicionalmente idolatrado, irracionalmente defendido, desejado, gente que resiste à mudança e ao progresso, como o imortalizado “velho do Restelo”.
Aqui e ali, nas nossas ilhas,uns poucos ainda choram a partida dos barcos, lamentam a viagem sem retorno (felizmente!)das velhas embarcações gregas, anos a fio principescamente alugadas pela governação socialista. E como a personagem da épica obra de Camões, a voz do conservadorismo está sempre à escuta, anseia um pequeno obstáculo, uma notícia, por mais ambígua que seja, para desferir o ataque,levantar-se contra os novos ventos, agora, no caso, a “Tarifa Açores”.
Bramindo contra o avião, o “velho do Restelo” acena com os 18,9 milhões de euros gastos na “Tarifa Açores” – quer insinuar aos mais sensíveis e desprevenidos o alcance orçamental de tão ousado voo. Contas feitas, um milhão de passageiros transportados em três anos, e cada viagem custou às finanças públicas a estrondosa quantia de 20 euros, ou 25, como diz o Tribunal de Contas.
Em tempos, o mesmo tribunal tratou igualmente de calcular o luxo que pagámos pelos navios gregos, literalmente, o rombo provocado no orçamento regional. De 2017 a 2019 os barquinhos custaram uns módicos 23,4 milhões de euros, transportando… 220 mil almas. Como diria uma célebre figura, também socialista, é fazer as contas.
Ah, o pessoal levava consigo o carrinho, a tenda, o chouriço, o grelhador e o carvão! Saudades?