O presidente do Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) justificou hoje que o executivo suspendeu os processos de privatização da Azores Airlines e dos hotéis das ilhas das Flores e Graciosa por uma questão de “ética democrática e cautela”. 

“Num período onde preside a perturbação, através de uma rejeição de um Plano e um Orçamento e a mais que provável dissolução da Assembleia Legislativa, antecipação de eleições e um novo Governo, saído destas novas eleições, o que é exigível, na minha opinião, sob o ponto de vista de ética democrática é, em vez de tomar decisões precipitadas, aguardarmos com serenidade”, disse José Manuel Bolieiro.

O chefe do executivo açoriano, que falava aos jornalistas na Universidade de Ponta Delgada, São Miguel, à margem da assinatura de um protocolo com a Fundação Gaspar Frutuoso para melhoramento fitossanitário de castas tradicionais de videiras do arquipélago, garantiu que “tudo foi feito com tempo”.

“Por termos tempo, vale a pena a serenidade e vale a pena o sentimento essencial da ética democrática. Deixar o processo para a responsabilidade da legitimidade democrática do novo Governo saído das eleições antecipadas”, salientou.

Na terça-feira, o executivo liderado por José Manuel Bolieiro anunciou a decisão de “suspender os processos públicos de alienação da Azores Airlines e dos hotéis das Flores e Graciosa” detidos pelo arquipélago.

Segundo a nota divulgada, o Governo dos Açores comunicou aos conselhos de administração da Sata Holding S.A e da empresa Ilhas de Valor que “suspendessem a tramitação dos concursos públicos até que a situação se encontre clarificada e seja assumida decisão definitiva pelo novo Governo Regional, resultante das futuras eleições legislativas regionais”.

“Esta é a forma mais responsável e mais conforme à ética democrática de decidir, no atual contexto, pela defesa do superior interesse dos Açores e dos açorianos”, justificou o executivo açoriano.

Hoje, José Manuel Bolieiro disse aos jornalistas que foi por “respeito ao povo” e pela “ética democrática” que os processos foram suspensos.

Sobre a Azores Airlines, adiantou que foi indicado à Holding SATA que comunique a situação de suspensão do processo de privatização à Comissão Europeia, no âmbito do plano de reestruturação que foi aprovado.

Relativamente aos dois hotéis das ilhas das Flores e da Graciosa, atualmente explorados pela Fundação INATEL, o chefe do executivo açoriano indicou que irão ser mantidas as conversações com os empresários “que continuam na sua missão até haver uma nova decisão”.

“Eu creio que podemos voltar à normalidade e continuidade do ‘status quo’ e, depois, já com o novo Governo, já com a legítima decisão do povo quanto à sua futura governação, poder, então, defender o interesse dos Açores e com a legitimidade democrática acautelada”, explicou.

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