Após audição de todos os partidos com assento no parlamento açoriano, Marcelo Rebelo de Sousa convocou o Conselho de Estado para o dia 11. Aí será decidido o próximo passo para o futuro dos Açores

Marcelo Rebelo de Sousa, após ouvir todos os representantes dos partidos, sabe que não tem outra opção senão a de dissolver a Assembleia Legislativa dos Açores e antecipar o acto eleitoral.

Quando, em 2020, foi conferida à coligação PSD/CDS/PPM, a governação dos Açores, através da assinatura de acordos de incidência parlamentar com a Iniciativa Liberal e com o chega, o que deveria conferir a estabilidade necessária para os quatro anos seguintes.

Não foi necessário muito tempo para percebermos que dificilmente esta solução governativa aguentaria quatro anos. Assistimos a comportamentos e atitudes que no universo infantil se explica como birras. No entanto, na vida adulta e enquanto decisores políticos não são toleráveis. Acrescendo a isto, aquele que era designado como o “ourives” falhou nas suas conversações e a coligação perdeu o rumo.

Em março do corrente ano, a Iniciativa Liberal rompe o acordo e deixa bem claro que a coligação deixava de contar com o seu apoio. Algo que o chega já o tinha feito anteriormente.

 

Nessa altura, ficou bem claro que a bolina ditava o rumo dos Açores. E nessa altura, deveria ter havido a intervenção do Representante da República de forma a aferir da capacidade de PSD, CDS e PPM para continuar à frente da gestão da nossa região.

A partir daí, e para quem segue o cenário político, percebeu-se que a coligação desistia de governar para se dedicar a uma campanha precoce, baseada na hostilização dos seus ex-parceiros de incidência parlamentar e na chantagem emocional do povo açoriano, causando o caos naquelas e naqueles que dizia querer proteger.

O que se assistiu e se assiste é do mais cruel que pode ser feito. Há idosos que pensam que não receberão as suas pensões! Que o apoio do COMPAMID está suspenso. Há famílias que acham que o complemento ao abono não será pago…a desinformação consciente que foi e está a ser feita é repugnante. Mas demonstra bem o que PSD/CDS/PPM pensam realmente acerca das pessoas mais desfavorecidas da nossa região.

Lamentável foi também a postura de José Bolieiro, aproveitando tempo de antena como governo, para fazer campanha eleitoral. Poderia ter aproveitado para pedir desculpas à população açoriana pela instabilidade dos últimos três anos e reconhecido que a coligação, liderada por si, falhou. Falhou aos Açores!

E como, ao longo destes anos, nos brindou com tantas expressões em latim, poderia ter batido com a mão no peito e dizer: “Mea culpa”.

O Bloco de Esquerda, como sempre o fez, continuará a denunciar, mas a apresentar soluções. Queremos um novo rumo para os Açores. O rumo certo que leve ao desenvolvimento sócio económico da nossa região. Queremos um presente justo para os que estão e um futuro aliciante para quem virá.

 

Alexandra Manes