Joaquim Machado, Deputado do PSD/Açores ALRAA

Aos nove, dez anos, tinha a sensação de já se tratar de uma velha canção. E era, relativamente. Lançada em 1965 (recorro ao Google para precisar o ano), António Mourão e Toni de Matos trataram de lhe dar sucesso. “Ó tempo volta para trás” era tocada em todas as rádios e por quem tinha o privilégio de um gira-discos, até que o 25 de Abril remeteu este fado-canção para uma espécie de index musical. Estupidamente, diga-se, porque o passado ali desejado era absolutamente amoroso, portanto, sem qualquer intento político.

De qualquer maneira, a música caiu no esquecimento. E só a trago agora à conversa por haver gente que quer voltar ao passado, voltar para trás, em todo o sentido pejorativo da expressão. É o caso da “tarifa Açores”, das viagens interilhas a um preço máximo de 60 euros. Como se sabe, a ideia foi lançada por Bolieiro em junho de 2020. Era campanha eleitoral, disseram os socialistas, acrescentando Vasco Cordeiro ser impossível tal coisa, só proposta por quem pouco sabia do assunto. Bolieiro chegado ao Governo foi o que se viu. A tarifa tornou-se realidade, um grande sucesso que hoje irrita os socialistas, a ponto de duvidarem da sua legalidade. Não há outra forma de dizer isto, se o PS voltasse à governação teríamos novamente as viagens da SATA a preços proibitivos.

Enfermeiros, médicos, professores, técnicos de diagnóstico e terapêutica, que viram as suas carreiras atualizadas, também rejeitam voltar a um passado que lhes negou sistematicamente direitos.

O Orçamento de 2024 traz mais novidades, se não vencer a vontade de voltar para trás.