Rio critica militantes que ficam atrás da cortina a fazer contas de cabeça

O candidato à presidência do PSD Rui Rio criticou hoje os militantes do partido que não tiveram coragem de avançar para a liderança e optaram por ficar “debaixo da mesa ou atrás da cortina a fazer contas de cabeça”.

Em Vila Verde, no distrito de Braga, Rio pediu uma militância “às claras, com frontalidade e com sinceridade”.

Rio reagia, assim, às declarações de Miguel Relvas sobre o facto de o próximo líder ser transitório, eleito “por dois anos” e poder ser contestado se perder as eleições legislativas.

“Tenho a certeza de que, se Sá Carneiro fosse vivo, não gostava nada deste tipo de afirmações, dizendo que é para dois anos, para três ou para um e meio”, criticou, questionando porque é que aqueles militantes que acham que a liderança a eleger no próximo sábado será apenas para dois anos não apresentaram eles mesmos uma candidatura “para quatro, cinco, seis, sete ou oito anos”.

“Ficam à espera que corra mal aos outros”, apontou.

Em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença, o ex-ministro e antigo secretário-geral do PSD Miguel Relvas afirmou que o próximo líder tem um mandato de dois anos, tem que ganhar as legislativas e será contestado caso isso não aconteça.

“Vamos ter um líder para dois anos, se ganhar as eleições continua, se não ganhar será posto em causa”, disse Miguel Relvas, numa entrevista em que aponta Luís Marques Mendes e Luís Montenegro como nomes para o futuro do partido.

Para Rui Rio, estas afirmações mostram o estado “de um certo PSD”.

“Não gosto de nada disso, estou convencido de que vou ganhar, mas se o meu adversário ganhar terei todo o gosto em apoiá-lo justamente contra esse PSD que age dessa forma. Isso é o contrário do que se deve fazer, é o contrário do que os partidos devem ser, cheios de taticismos, cheios de recados, cheios de truques”, vincou.

Noutro registo, Rio sublinhou a sua preferência pela eleição do líder do partido em eleições diretas, com a “participação e comunhão” de todos os militantes.

“É muito mais genuína uma eleição deste género do que eleger o líder num único fim-de-semana, num congresso, em que se pode combinar e conquistar apoios ali no espaço de um mês, falando com os principais lideres locais”, afirmou.

As eleições para a presidência do PSD são no sábado, sendo Rui Rio e Santana Lopes os candidatos.

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