Despedimentos são pior notícia para a economia do Pico “em muitos anos”

 

O líder do PSD/Açores, Duarte Freitas, considerou hoje que os despedimentos anunciados na conserveira Cofaco, na ilha do Pico, representam o pior para a economia local “em muitos anos”.

“Esta é a notícia que esperávamos nunca ter ouvido. É a pior notícia para a economia do Pico em muitos anos. Esta empresa tinha um papel histórico na ilha, empregava 187 pessoas e trouxe muita riqueza ao Pico”, sublinhou o responsável, em declarações aos jornalistas à margem das jornadas parlamentares do PSD/Açores, que decorrem até sexta-feira, precisamente na ilha do Pico.

Os trabalhadores da Cofaco “não querem subsídios, mas sim o seu posto de trabalho”, considerou ainda o líder dos sociais-democratas açorianos, para quem há o risco de a conserveira – dona, por exemplo, da marca Bom Petisco – estar a criar “falsas expetativas” nos seus quadros.

O presidente do PSD/Açores lembrou ainda a proposta de resolução da autoria dos social-democratas aprovada por unanimidade no parlamento açoriano em junho passado – o texto pedia o acautelar dos postos de trabalho na conserveira durante o processo de construção da nova fábrica, na mesma ilha.

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia dos Açores afirmou já hoje que o executivo recebeu a garantia da Cofaco de readmitir “a grande maioria” dos trabalhadores assim que a nova fábrica estiver a funcionar.

A administração da empresa informou na terça-feira que vai proceder ao “despedimento coletivo” dos 180 trabalhadores da empresa, quadros no Pico.

De acordo com Sérgio Gonçalves, representante do Sindicato de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores, o conselho de administração reuniu-se com os cerca de 180 trabalhadores da fábrica para os informar de que todos seriam despedidos com direito a “indemnização e fundo de desemprego”, deixando a Cofaco de laborar naquela ilha até à construção de uma nova fábrica.

“Serão pagas as indemnizações e vamos todos para casa com uma promessa verbal de que quando a obra estiver concluída, entre 18 meses e dois anos, nos chamariam de novo para vir trabalhar. Ficamos na expetativa. Como o ditado diz, ‘palavras, leva-as o vento’, mas vamos esperar que estas o vento não leve”, disse na terça-feira Sérgio Gonçalves.

Os trabalhadores da Cofaco na unidade de Rabo de Peixe (concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel) admitem fazer greve em solidariedade para com os colegas.

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