Costa afasta “Bloco Central” e recusa dizer quem prefere a liderar PSD

O secretário-geral do PS afastou hoje eventuais soluções de Governo de “Bloco Central” em Portugal, alegando que o atual executivo tem alcançado “bons resultados”, e recusou-se a pronunciar-se sobre quem prefere na liderança do PSD.

Palavras que foram proferidas por António Costa antes da reunião da Comissão Nacional do PS, depois de ter sido interrogado se prefere Rui Rio ou Pedro Santana Lopes na presidência do PSD.

“Já chega eles [Pedro Santana Lopes e Rui Rio] discutirem qual deles me prefere a mim. Não vou interferir de forma nenhuma no congresso do PSD”, respondeu o líder dos socialistas.

Questionado se, tal como na Alemanha, também em Portugal os dois maiores partidos portugueses, PSD e PS, podem, a prazo, entender-se para a formação de um Governo, António Costa considerou esse tema “sem sentido”, colocando antes a questão portuguesa numa dialética entre esquerda e direita.

“Não faz sentido, porque temos uma solução de Governo para quatro anos, que, felizmente, tem provado muito bem e assegurou ao país estabilidade, mas estabilidade na mudança. O país estava saturado da política seguida pelo Governo PSD/CDS, que teve desastrosos resultados económicos, sobretudo na destruição de emprego, na esperança e na confiança dos portugueses”, criticou depois.

Nos últimos dois anos, segundo António Costa, o atual Governo socialista tem “conseguido reconstruir essa esperança e essa confiança” dos portugueses.

“Cumprimos todos os compromissos estabelecidos com os portugueses, os compromissos no quadro da maioria parlamentar e os compromissos com a União Europeia”, acrescentou.

Costa nega ter dado acordo a círculo transnacional nas eleições europeias

O secretário-geral do PS negou hoje ter dado o seu acordo à proposta do Presidente francês, Emmanuel Macron, para a criação de um círculo transnacional nas eleições europeias, contrapondo que os socialistas portugueses se têm oposto.

Em causa está a declaração final da IV Cimeira dos Países do Sul da União Europeia, que decorreu na quarta-feira, em Roma, e na qual esteve o primeiro-ministro, António Costa, e onde consta no último ponto uma posição de princípio no sentido da criação de uma lista transnacional nas eleições europeias.

António Costa falava à entrada para a reunião da Comissão Nacional do PS, depois de confrontado com as acusações do eurodeputado social-democrata Paulo Rangel, segundo as quais o primeiro-ministro português, durante a recente cimeira dos países da Europa do sul, em Roma, terá dado o seu acordo a essa proposta do chefe de Estado francês.

De acordo com o primeiro-ministro, está a haver “especulação com base numa interpretação errada da declaração [escrita] elaborada no final da reunião dos países do sul da Europa”.

“São bem explícitos os pontos sobre os quais há um acordo de todos e, depois, os temas em que, embora não sendo objeto de rejeição, não têm acordo. Aliás, o primeiro-ministro de Espanha, Mariano Rajoy, foi bastante explícito sobre essa matéria [do círculo com listas transnacionais], dizendo que não houve o acordo de todos”, alegou António Costa.

O secretário-geral do PS invocou ainda que, no texto final da cimeira realizada em Roma, em particular no parágrafo referente à democracia europeia, os chefes de Estado e de Governo dos países da Europa do sul referem “uma congratulação sobre a ideia das consultas dos cidadãos”.

“Mas, depois – acentuou António Costa -, apenas se admite que poderia ser uma boa ideia” a questão da criação de um círculo eleitoral transnacional.

“É um tema que tem estado em debate no Parlamento Europeu e, aliás, tem um relator português: o eurodeputado socialista Pedro Silva Pereira. O PS tem-se oposto, precisamente, à ideia da criação de listas transnacionais nas eleições europeias”, frisou António Costa.

CDS fala em “crime de lesa-pátria”

O CDS-PP considerou hoje “um crime de lesa-pátria” o alegado apoio do primeiro-ministro à criação de uma lista transnacional nas eleições europeias.

“Esta decisão é um crime de lesa-pátria para Portugal, transforma o doutor António Costa num joguete de franceses, alemães, espanhóis e italianos – grandes países da União Europeia – e atraiçoa os países médios e pequenos deste projeto comum que estão contra estas listas transnacionais que são um processo profundamente antidemocrático”, criticou o vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo, em declarações à agência Lusa.

Na opinião do eurodeputado centrista, “António Costa é uma pessoa que estuda pouco e não alcança muitas vezes a consequência das suas medidas”.

“O CDS-PP pretende alertar as pessoas para uma decisão trágica de um primeiro-ministro, à socapa, sem sequer ouvir o parlamento nacional, sem ter noção do que está a fazer. É de uma gravidade extrema”, condenou.

De acordo com Nuno Melo, “as listas transnacionais darão às direções de partidos europeus, invariavelmente controladas por franceses e alemães, o poder de decidirem sobre quem as integrará sendo de outros países”.

Para o vice-presidente do CDS-PP, isto resultará numa distorção “em favor desses grandes Estados, integrando nas listas mais nacionais seus do que de outros países”.

“Estas listas transnacionais serão uma porta aberta a todos os extremismos que ainda não entraram em todos os países porque pessoas com grande capacidade mediática – como a Marine Le Penn – tenderão a agregar votos através de uma mensagem populista, mas que rende”, alertou.

Esta medida, continuou Nuno Melo, “nem sequer é federalista” porque estão “a querer consagrar para a União Europeia o que nos estados federais nem sequer existe”.

Na sexta-feira, o PSD requereu uma audição parlamentar, com caráter de urgência, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, para esclarecer o apoio dado pelo Governo português à criação de uma lista transnacional nas eleições europeias.