Conserveira Cofaco despede 180 trabalhadores na Madalena do Pico

A administração da conserveira Cofaco informou hoje que vai proceder ao “despedimento coletivo” dos 180 trabalhadores da empresa, quadros na ilha do Pico, indicou à agência Lusa um representante sindical.

De acordo com Sérgio Gonçalves, representante do Sindicato de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores, o conselho de administração reuniu-se com os cerca de 180 trabalhadores da fábrica esta manhã para os informar de que todos seriam despedidos com direito a “indemnização e fundo de desemprego”, deixando a Cofaco de laborar naquela ilha à até construção de uma nova fábrica.

“Serão pagas as indemnizações e vamos todos para casa com uma promessa verbal de que quando a obra estiver concluída, entre 18 meses e dois anos, nos chamariam de novo para vir trabalhar. Ficamos na expetativa. Como o ditado diz, ‘palavras, leva-as o vento’, mas vamos esperar que estas o vento não leve”, afirmou Sérgio Gonçalves.

A fábrica Cofaco, no concelho da Madalena, na ilha do Pico, vai manter os trabalhadores até abril, altura em que arrancam as obras para a construção da nova unidade industrial.

“Queremos acreditar que iremos ser admitidos após dois anos, mas tememos muito pela nossa situação”, admitiu o sindicalista.

A conserveira está sem laborar desde o dia 14 de dezembro de 2016, altura em que os trabalhadores – na maioria mulheres – foram “para as férias do Natal” e sem qualquer informação acerca de qual seria a solução para a sua situação.

À margem de uma cerimónia esta manhã em Ponta Delgada, o secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, confirmou estar a acompanhar a situação na empresa, embora tenha indicado que em causa estão 167 trabalhadores e não 180.

 Governo Regional acompanha de perto processo para construção da nova fábrica da COFACO no Pico

O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia adiantou hoje, em Ponta Delgada, que a candidatura da empresa COFACO a apoios comunitários para a construção de uma nova unidade fabril na ilha do Pico deu entrada a 20 de dezembro de 2017, afastando a hipótese de deslocalização.

Gui Menezes, questionado por jornalistas, afirmou que a Secretaria Regional que dirige “está em condições de avaliar o projeto”, acrescentando que essa avaliação será feita “o mais rapidamente possível”, para que a fábrica “possa ser reconstruída e possa iniciar a laboração novamente na ilha do Pico”.

A obra de reconstrução da fábrica de processamento de atum na Madalena, no Pico, no mesmo local onde se encontra a atual, tem um prazo de 18 meses, sendo que a empresa optou por despedir a totalidade dos trabalhadores daquela unidade fabril, estando prevista a sua reintegração no futuro.

O Secretário Regional disse que, “de acordo com o que a COFACO transmitiu, os direitos dos trabalhadores serão garantidos”, referindo que “existem mecanismos de apoio nestas situações, dado que os trabalhadores não podiam estar no ativo [durante o período de obras]”.

Gui Menezes assegurou ainda que “os serviços competentes em matéria de trabalho, como a Inspeção Regional do Trabalho e a Direção Regional do Emprego, irão acompanhar os trabalhadores e estão disponíveis para apoiar os trabalhadores em tudo aquilo que for necessário”.

O Governo dos Açores já designou uma equipa tripartida de apoio aos trabalhadores da COFACO, com elementos da Inspeção do Trabalho e da Segurança Social, que será instalada nos serviços de Segurança Social da ilha do Pico.

Em declarações aos jornalistas, Gui Menezes afirmou que ainda não sabe se “todos os trabalhadores voltarão a ser integrados”, referindo que, “tratando-se de uma nova fábrica, há alterações tecnológicas que vão ocorrer”.

“A empresa transmitiu que a sua aposta novamente no Pico se devia muito à qualidade dos trabalhadores” daquela unidade no que respeita à laboração do atum, frisou o Secretário Regional, referindo que os trabalhadores serão readmitidos “pela sua qualidade e pela experiência adquirida”.

Gui Menezes afirmou ainda que “devemos enaltecer a aposta da COFACO em continuar no Açores, atendendo também a que estas empresas estão sujeitas a uma competitividade enorme e a custos de contexto nos Açores muito difíceis”.

A COFACO submeteu o projeto para a construção da nova unidade fabril, que irá substituir a atual fábrica, com mais de 50 anos, a fundos comunitários no âmbito de uma portaria do FEAMP – Fundo Europeu para os Assuntos Marinhos e das Pescas, para apoios a investimentos na área da transformação de pescado.

Segundo Gui Menezes, o projeto apresentado, no valor de cerca de seis milhões de euros, “faz parte de uma alteração estratégica que a empresa quer ter nos Açores para se tornar mais competitiva”.

 

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