Centeno aponta como desafio a “integração financeira na área do euro”

O ministro das Finanças e novo presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, disse, hoje, em Paris, que o desafio na zona euro é a “estabilidade financeira e uma integração financeira na área do euro”.

As declarações foram feitas aos jornalistas portugueses, depois da cerimónia de “passagem de testemunho” do Eurogrupo, numa cerimónia na Embaixada de Portugal em Paris, em que recebeu a pasta de presidente do Eurogrupo do holandês Jeroen Dijsselbloem.

“O que temos de conseguir e garantir é que o resultado dessas reformas conjuntas beneficie de uma estabilidade financeira e de uma integração financeira na área do euro que hoje ainda é incompleta e incipiente e é esse o desafio”, afirmou, recordando que “a Europa enfrentou uma crise muito séria” e que “os estados membros da zona do euro promoveram reformas”, nomeadamente Portugal.

“O Governo português nos últimos dois anos tem promovido essas reformas na área financeira, na área das qualificações. São reformas que têm que se manter”, continuou, acrescentando que é preciso “juntar as vontades nacionais porque a área do euro é um conjunto de estados soberanos àquilo que é a necessidade institucional de construir uma área mais forte”.

Dotar a união económica e monetária de um orçamento próprio “é um debate longo” que Centeno se compromete a ter “com todos”, com o objetivo de “criar consensos e que esses consensos sejam equilibrados face às partes”.

“Iniciámos já há bastante tempo uma discussão sobre as regras orçamentais, a sua transparência, a sua previsibilidade, a capacidade de serem entendidas pelos cidadãos. E, neste momento, devemos continuar essa discussão e essa é a vontade que eu tenho recebido de todos os lados, numa dimensão adicional que é saber se uma união económica e monetária deve ou não deve ter uma capacidade orçamental autónoma”, explicou.

Numa “passagem de testemunho” realizada em Paris — justificada pela concertação de agendas dos dois ministros – Centeno destacou que “a posição de Emmanuel Macron [presidente francês] é muito importante numa posição de liderança na Europa” e que se deve “alavancar nessa ambição para promover um processo de reformas a nível europeu que permita tornar a zona do euro robusta e resiliente a crises”.

Centeno insistiu, também, que quer “uma Europa mais robusta e mais resistente a crises”.

“É muito motivante aquilo que nos espera nos próximos dois anos e meio, mostraremos todo o empenho no processo de construção de uma Europa mais robusta e mais resistente a crises que é aquilo que os decisores políticos têm como obrigação fazer para com os seus cidadãos, numa relação transparente e que traga previsibilidade à vida de todos nós”, afirmou.

Mário Centeno sublinhou que se está perante uma “janela de oportunidade para progredir na construção europeia”, graças a uma dimensão política, nomeadamente ao “início de ciclos políticos muito relevantes em vários países da Europa” e às atuais “boas condições económicas” na Europa.

“A outra dimensão é a económica pelas boas condições económicas que nós temos na Europa: crescimento económico acima de 1,5% para todos os países, uma posição orçamental equilibrada no conjunto da área com melhorias muito significativas também transversalmente a todos os países e com uma posição de poupança líquida e uma posição externa muito favorável para a Europa”, explicou.

O novo presidente do Eurogrupo acrescentou que os “marcos muito importantes” que a zona euro tem pela frente passam pela conclusão da união bancária, da união do mercado de capitais e de “uma capacidade orçamental para a união que promova o investimento e que promova a estabilidade e que funcione como mecanismo de estabilização”.

Antes da conferência de imprensa com os jornalistas portugueses, Mário Centeno recebeu “o sino da zona euro” das mãos do holandês Jeroen Dijsselbloem e afirmou que é preciso “estar ciente” dos “desafios que têm de ser enfrentados”.

Jeroen Dijsselbloem destacou, por sua vez, o “forte apoio no Eurogrupo” que o português tem e disse estar “feliz” por lhe transferir a pasta.

Esta tarde, Mário Centeno vai ao Ministério francês da Economia e das Finanças para uma reunião com o seu homólogo Bruno Le Maire.

Esta quinta-feira, o ministro português foi recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, e depois deslocou-se ao palácio de Matignon para uma reunião com o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe.

No dia 22 de janeiro decorre a primeira reunião do Eurogrupo sob a presidência de Mário Centeno.

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