Centenas despediram-se de Zé Pedro nos Jerónimos

Centenas de pessoas aplaudiram hoje fortemente o guitarrista Zé Pedro quando o seu corpo saiu do Museu dos Coches, em Lisboa, ao som da música “O Homem do Leme”.

Por volta das 13:15, o corpo do guitarrista dos Xutos & Pontapés saiu do antigo edifício do Museu dos Coches, que estava desde uma hora antes encerrado apenas para familiares e amigos.

Quando, no exterior, começou a ser tocada a música da banda e o caixão saiu, as centenas de pessoas que entretanto se foram juntando na entrada aplaudiram e cantaram em coro.

O cortejo fúnebre seguiu depois a pé até ao Mosteiro dos Jerónimos, onde a missa de corpo presente se realizava a partir das 13:30.

Pelo caminho, populares que se juntaram ao longo da estrada foram aplaudindo, os turistas perguntavam quem tinha morrido e até os funcionários dos Pastéis de Belém saíram para a rua para homenagear o guitarrista.

Muitas figuras públicas, amigas de Zé Pedro, compareceram hoje para o último adeus ao guitarrista da banda de rock.

“Ele era um dos melhores de nós”, disse o músico Adolfo Luxuria Canibal, visivelmente emocionado, enquanto Jorge Palma, com a voz embargada, foi incapaz de dizer mais do que: “Venho despedir-me de um grande amigo”.

Tó Trips, Kalu e os restantes elementos da banda Xutos & Pontapés foram outros dos músicos que marcaram presença nas cerimónias fúnebres do guitarrista.

O deputado do PCP António Filipe não quis também deixar de homenagear o músico, recordando os “anos inesquecíveis” em que os Xutos encerraram a Festa do Avante.

“Venho prestar a minha homenagem, mas não a última porque o Zé Pedro vai continuar muito presente pela obra que deixa”, afirmou, lembrando que os Xutos atravessam e vão continuar a atravessar muitas gerações.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, assistiu “emocionado” à missa de corpo presente do guitarrista Zé Pedro, uma cerimónia que considerou “muito tocante” e “participativa”, durante a qual foram cantadas músicas dos Xutos & Pontapés.

“Foi uma missa muito tocante e muito participativa, tanto pelas palavras do padre, muito próximas da vida de Zé Pedro e do fenómeno rock”, como pela cerimónia em si, disse Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que foram “cantadas algumas músicas dele ao longo da missa”.

Para o Presidente da República, um dos momentos mais bonitos foi a “intervenção final de evocação de Zé Pedro”.

Marcelo Rebelo de Sousa saiu do Mosteiro dos Jerónimos, no final da missa, por volta das 15:00, acompanhado pelo primeiro-ministro, António Costa.

A urna com o corpo do músico saiu alguns minutos depois, sob uma enorme salva de palmas das centenas de pessoas que se juntaram na rua para a última homenagem a Zé Pedro, e ao som da música “Para sempre”.

No exterior do mosteiro, a urna foi colocada em cima de um grande altar dourado e rodeada por familiares e amigos de Zé Pedro, com os companheiros da banda alinhados à frente.

Populares, amigos e família aplaudiram, assobiaram, gritaram “Zé Pedro”, e os Xutos & Pontapés abraçaram-se e curvaram-se perante a urna do amigo e perante o público.

O guitarrista dos Xutos e Pontapés morreu na quinta-feira, aos 61 anos. Zé Pedro estava doente há vários meses, mas a situação foi sempre mantida de forma discreta pelo grupo, só tendo sido assumida publicamente no passado dia 04 de novembro, no derradeiro concerto do músico, no fecho da digressão dos Xutos & Pontapés, no Coliseu de Lisboa.

No final na década de 1970, Zé Pedro, com Zé Leonel e Paulo Borges, criou a banda Delirium Tremens, que mais tarde passou a chamar-se Xutos & Pontapés, com a entrada de Kalú e de Tim, para o lugar de Paulo Borges.

O primeiro concerto dos Xutos & Pontapés realizou-se a 13 de janeiro de 1979, nos Alunos de Apolo, em Lisboa.

O funeral de Zé Pedro seguiu depois para o cemitério dos Olivais, onde o músico foi cremado numa cerimónia apenas para os familiares e amigos mais próximos.

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