Gualter Furtado: Abertura da caça às Galinholas

A época venatória de caça às Galinholas nos Açores começou este ano de 2017 no dia 8 de Outubro e, como sempre rumamos à ilha da vinha e do vinho e justamente classificada como património da humanidade, para podermos desfrutar uns lances de caça com as nossas Setters Inglesas e a dama da Montanha. Conscientemente decidimos, na véspera da abertura, visitarmos alguns tesouros que a ilha do Pico tem e valorizarmos ao máximo a componente social da caça. Assim, no sábado, fomos fazer uma visita ao Santuário Diocesano do Senhor Bom Jesus da Pedra e observar aquele magnífico templo que se localiza em São Mateus. Depois seguimos para as Lages e fomos visitar o Museu dos Baleeiros onde se pode observar o contexto geográfico, social, e económico em que se desenvolveu a extinta “caça à baleia”, tão bem descrita pelo escritor açoriano e picaroto da Calheta do Nesquim que é o Dias de Melo e meu saudoso professor de português. Nesta visita ao Museu tivemos a oportunidade de assistir a um filme sobres os pescadores do Pico, as baleias e a baleação, que é um documento histórico notável. De seguida era hora de irmos fazer um piquenique na bem ordenada e bonita zona de lazer de São João Pequenino e degustar um grelhado no carvão de Galinholas e Codornizes caçadas no final da época cinegética passada, e temperadas com pouco sal, uma pitada de pimenta branca, regadas com sumo de limão galego e um fio de azeite do bom, um autêntico manjar dos deuses a que acrescentamos a linguiça e o vinho do Pico e umas rodelas de ananás de São Miguel de excelente qualidade. Terminado o piquenique era tempo de ir para a Montanha escolher a zona onde, no Domingo, íamos caçar. E assim foi; o tempo estava tão bom que nos permitia ver as ilhas vizinhas e designadamente o Faial e São Jorge. Nesta estadia ainda nos foi permitido degustar produtos locais muito bem confecionados no Ancoradouro e no Cella Bar, espaços que aconselho por serem um símbolo de qualidade. Certamente que existem outros na Ilha, mas estes foram os que frequentamos e comprovamos.

Domingo, 5 horas da manhã, na companhia das nossas Setters Inglesas a Smart e a Heidi lá fomos para a Montanha contemplar o magnífico nascer do dia para depois começarmos a caçar às 8 h da manhã. Das 5h30 às 8 h por via das dúvidas coloquei na capota do carro uma lanterna barata comprada no Decathlon e que viria a revelar-se uma preciosa ajuda, para os outros caçadores mais atrasados, saberem que naquele território já estavam outros caçadores. Ficamos muito agradados com os caçadores da Ilha por respeitarem esta tradição de não caçar onde já estão outros caçadores. Infelizmente, em muitas partes do território nacional, tal civilidade já é difícil de encontrar. Chegadas as 8 horas lá começamos a caçada e durante 5 horas sempre a subir a Montanha, as Setters portaram-se muito bem e designadamente a Heidi do Olívio, e que nos permitiram depois de extraordinárias paragens o contacto com 14 Galinholas. Mas o dia era da caça e não dos caçadores, já que os cobros estiveram muito aquém do trabalho das Setters. Mas a caça é mesmo assim, uns dias melhores do que outros, e o “mata tudo ainda está por nascer”. Aliás, na caça o que importa menos é o ato de matar. E assim se passou mais um fabuloso dia apreciando e vivendo o que de melhor tem os Açores, na companhia dos nossos amigos cães, a que se juntaram outros 2 amigos humanos o Fortunato da Câmara e o Rui Caria, não caçadores, e que foram uma excelente companhia, aguentando aquelas 5 horas num quadro de grande exigência física, já que a caça às Galinholas tal como a praticamos é a modalidade de caça menor mais difícil em termos dificuldade de progressão no terreno.

E se Deus quiser no próximo Domingo há mais, no Pico ou noutra das nossas extraordinárias ilhas.

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